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Reajustes de combustíveis por demissionário da Petrobras jogam por terra planos do governo

Nessa guerra, o governo trata estatal como inimiga e o Congresso tenta tirar proveito

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2022 | 04h00

A declaração de guerra de Jair Bolsonaro e Arthur Lira à Petrobras, que envolveu até o ministro André Mendonça, do STF, deverá ter como principal desfecho a concessão de um subsídio para segurar o preço do diesel bancado pelo governo federal. Essa era a solução política que estava na mesa desde o início da guerra da Rússia com a Ucrânia.

O reajuste do diesel e da gasolina, comandado por um presidente da Petrobras demissionário e inconformado por ter perdido o cargo um mês após a posse, jogou por terra os planos do governo de fazer uma troca rápida na direção empresa para segurar uma nova alta de preços com janelas de reajustes mais esparsos. A medida seria combinada com o impacto da queda de tributos sobre combustíveis com o projeto do teto do ICMS aprovado esta semana.

Bolsonaro não escondeu os planos numa das declarações ao longo desta sexta-feira: “Com a troca de presidente podemos colocar gente competente para não reajustar”.

A alta de R$ 0,20 na gasolina e de R$ 0,70 do diesel comeu boa parte do impacto previsto com a queda do ICMS e dos tributos federais. O pacote mirava redução em R$ 1,65 do litro da gasolina e de R$ 0,76 do diesel.

Foi tudo por água abaixo. E a nova lei, que custará bilhões aos cofres da União e dos Estados, não terá o efeito esperado. A resposta foi dura.

Na sua declaração de guerra, Lira disse que vai colocar em votação proposta para dobrar a taxação sobre o lucro da Petrobras e mudar a política de preços da empresa. A interlocutores, o presidente da Câmara diz que não se trata de blefe.

De imediato, o que o Congresso pretende fazer (Lira já deu a sinalização) é aprovar um subsídio para diminuir a compensação da diferença do custo do diesel no mercado internacional ou para criar a bolsa-caminhoneiro. As restrições eleitorais nem estão sendo levadas em conta. 

Do Senado, Rodrigo Pacheco voltou a falar numa conta de estabilização, que nada mais é do que segurar preços com recursos do Tesouro. Em outras palavras, subsídio. “O governo deve aceitar dividir os enormes lucros da Petrobras com a população”, disparou o presidente.

Nessa guerra do petróleo, tem governo tratando sua própria estatal como inimiga, Congresso aproveitando a deixa para tentar retirar as amarras de indicações políticas na maior empresa do País e uma empresa que agiu com fígado em pleno feriado.

Ah! Tem também um pelotão desse exército no STF com André Mendonça fazendo uso de uma ação que já pode ter perdido o objeto para avançar no cerco à Petrobras e ampliar o alcance da mudança do ICMS do diesel para outros combustíveis. Puro ativismo judicial. 

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