Petrobrás recorre a sócios para bancar projetos

Com dificuldades de buscar crédito no mercado internacional, estatal quer usar o nome das sócias para conseguir financiamento mais barato

FERNANDA NUNES, ANTONIO PITA, MARIANA SALLOWICZ / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2015 | 02h01

Em crise financeira e sem credibilidade, a Petrobrás está recorrendo às suas sócias para conseguir melhores condições de crédito. A estatal estuda, juntamente com suas parceiras, utilizar o nome dessas empresas para conseguir obter financiamento a juros mais baixos para seus projetos, segundo um executivo de uma grande petroleira, que pediu anonimato.

Nas conversas, o consenso entre Petrobrás e as parceiras é a preocupação com custos e prazos de aquisição de equipamentos. Já há estimativa de adiamento para 2016 da contratação de plataformas que serão utilizadas em projetos comuns. Em paralelo, a estatal tem buscado as sócias para apresentar seus ativos à venda, oferecendo participações e áreas de concessão, até mesmo no pré-sal, contou o executivo.

A Petrobrás atravessa um período de portas fechadas no mercado, por causa da perda do grau de investimento pela agência de classificação de risco Moody's. O rebaixamento agravou a desconfiança em relação à saúde financeira da estatal, que ainda não tem balanço contábil auditado de 2014.

Para fugir dos juros mais altos no crédito, a estatal tem discutido alternativas com as sócias na exploração e produção de blocos de grande porte no pré-sal. A tomada de crédito em nome das companhias parceiras é uma opção em estudo, mas ainda não há definição.

Segundo o executivo, a opção de "emprestar" credibilidade à estatal é positiva por limitar o encarecimento dos projetos, que teriam maior custo se o tomador do financiamento for a Petrobrás. Em cenário de queda nas cotações internacionais de petróleo, conter os custos é uma obsessão entre as empresas. O apoio também evitaria a paralisação ou atraso em projetos que exigem elevado investimento, mas prometem retornos altos, em curto intervalo de tempo.

Pesa contra, no entanto, o receio das sócias de assumir um ônus que não pertence a elas: as dificuldades financeiras decorrentes da Operação Lava Jato, que investiga a existência de um suposto esquema de corrupção na estatal.

O único consenso entre a Petrobrás e suas sócias é que os prazos para a aquisição de equipamentos, incluindo plataformas, serão prolongados por alguns meses. Há previsão de que pelo menos uma plataforma, prevista para o final do ano, seja adiada em até quatro meses, para 2016.

As petroleiras estudam com mais rigor os cronogramas de cada projeto para tentar definir o melhor momento de contratar os equipamentos. No caso da estatal, especificamente, a preocupação é em ter dinheiro para novos gastos ainda em 2015. Para fazer caixa no curto prazo, a companhia vai melhorar a eficiência de cada plataforma, instalando o maior número possível de poços em cada uma delas. Mas, até para isso, vai precisar adquirir equipamentos.

O desafio é equilibrar a necessidade de adiar ao máximo novos gastos sem atrasar a geração de caixa com futuros projetos que garantam o aumento da produção de petróleo o mais rapidamente possível.

Desinvestimento. Diante da severa restrição financeira, a Petrobrás também já está batendo na porta de outras petroleiras para oferecer seus ativos de exploração e produção de petróleo e gás natural. No rol de ativos disponíveis, há áreas de grande porte, de importantes reservas de petróleo. Há ofertas para áreas inteiras ou participações em blocos.

"Não são áreas de segundo linha, como aquelas que a Petrobrás tentou vender no passado", disse o executivo ouvido pelo Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado. Nos últimos anos, a estatal ofereceu áreas menos atrativas no exterior, em países como Uruguai e Tanzânia.

Para o executivo, a estatal está "testando o apetite" das companhias por áreas do pós e pré-sal, em contratos de concessão obtidos em leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A primeira opção é oferecer às empresas que já compõem sociedades com a estatal, mas outros interessados não estão descartados.

A petroleira Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP) sinalizou ontem que tem interesse nas áreas da Petrobrás. "Só aguardamos que sejam divulgadas para avaliar se estão dentro da nossa estratégia e capacidade financeira", afirmou o presidente da petroleira, Lincoln Guardado, em teleconferência sobre os resultados da companhia em 2014.

Procurada, a Petrobrás não se pronunciou até o fechamento desta edição.

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