Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

Petrobrás reduz em US$ 32 bi previsão de investimentos até 2019

Para o período entre 2015 e 2019, a estatal deve investir US$ 98,4 bilhões; empresa revisou suas projeções para a cotação do dólar e do barril de petróleo

André Magnabosco e Beth Moreira  , O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2016 | 10h15

SÃO PAULO - A Petrobrás reduziu em US$ 32 bilhões sua previsão de investimentos para o período entre 2015-2019, para um total de US$ 98,4 bilhões, informou nesta terça-feira, 12, a estatal. O montante previsto inicialmente no Plano de Negócios e Gestão (PGN) 2015-2019 para o período era de US$ 130,3 bilhões. A redução, segundo a empresa, decorre da otimização do portfólio de projetos (-US$ 21,2 bilhões) e do efeito cambial (-US$ 10,7 bilhões).

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa detalha que do total previsto até 2019, a maior parte será destinada à área de Exploração e Produção, que receberá 81% do investimento projetado, ou US$ 80 bilhões.

O segmento de Abastecimento ficará com 11% dos investimentos previstos, o equivalente a US$ 10,9 bilhões. Já o segmento de Gás e Energia receberá 6% da verba, ou US$ 5,4 bilhões, enquanto demais áreas receberão US$ 2,1 bilhões.

A empresa detalha ainda que no ano de 2015 os investimentos devem somar US$ 23 bilhões e cair para US$ 20 bilhões em 2016.

Gastos e desinvestimentos. A empresa informa também suas projeções de gastos operacionais gerenciáveis. A realização prevista para 2015 permanece em US$ 29 bilhões e a programação para 2016 está sendo revista no âmbito do detalhamento do orçamento anual em curso. A previsão inicial era de que os gastos operacionais gerenciáveis somassem US$ 21 bilhões em 2016.

Os desinvestimentos da estatal para o biênio 2015-2016 foram mantidos em US$ 15,1 bilhões, tendo atingido o montante de US$ 700 milhões em 2015.

Os ajustes no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 refletem novas premissas da Petrobrás em relação ao Brent e ao câmbio. Para 2016, a estatal projeta um Brent médio de US$ 45 o barril e um dólar a R$ 4,06. A princípio, o PNG 2015-2019 considerava um Brent de US$ 70 o barril, número revisado para US$ 55 por barril em outubro passado. No caso do dólar, o número inicial, de R$ 3,26, já havia sido revisado para R$ 3,80 em outubro.

Câmbio e petróleo. A Petrobrás revisou as projeções para o câmbio e para o petróleo. A companhia agora trabalha com uma estimativa de Brent com um valor médio de US$ 45 por barril em 2016. A princípio, o PNG 2015-2019 considerava um valor de US$ 70 por barril neste ano, número que havia sido revisado para US$ 55 o barril em outubro passado.

O cenário menos favorável do petróleo Brent ocorreu também em 2015, quando o preço médio ficou em US$ 52 por barril, segundo a estatal. A princípio, a Petrobrás esperava uma cotação média de US$ 60 por barril em 2015, número reduzido para US$ 54 o barril em outubro passado.

As projeções da estatal para o câmbio também foram revisadas. O número estimado para 2016 foi elevado para R$ 4,06, de R$ 3,80 em outubro passado. A expectativa da Petrobrás para a relação entre dólar e real já havia sido revisada em relação à previsão inicial, que era de R$ 3,26.

No caso de 2015, o câmbio médio ao final do ano ficou em R$ 3,33, contra os R$ 3,10 previstos inicialmente e os R$ 3,28 revisados em outubro. Ou seja, as revisões apresentadas pela estatal em outubro não se confirmaram no decorrer dos meses seguintes e com isso as previsões da Petrobrás para 2015 não vieram a se confirmar.

Produção. A Petrobrás reduziu a meta de produção de petróleo no Brasil em 2016 de 2,185 milhões de barris por dia (bpd) para 2,145 milhões de bpd, uma variação negativa de 1,8%. A expectativa da estatal para o médio prazo também é menos favorável, com uma produção estimada de 2,7 milhões de bpd em 2020, abaixo dos 2,8 milhões de bpd previstos inicialmente.

A sinalização menos favorável para os próximos anos contrasta com o número positivo registrado em 2015. A produção média de petróleo no Brasil por parte da estatal atingiu 2,128 milhões de bpd no ano passado, acima dos 2,125 milhões de bpd estimados anteriormente. O número alcançado em 2015 ficou 0,15% acima da meta para o período e 4,6% além da produção de 2014, que ficou em 2,034 milhões de bpd.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.