Petrobrás reduz importação de gás da Bolívia

A Petrobrás vem reduzindo drasticamente as importações de gás natural da Bolívia nos últimos meses. O cronograma inicial de utilização do gasoduto Brasil-Bolívía (Gasbol) previa crescimento contínuo das importações até alcançar a capacidade total de 18 milhões de metros cúbicos diários este mês. Mas desde fevereiro, o volume importado pela estatal só cai, passando de 11,6 milhões de metros cúbicos na média daquele mês para 8 milhões de metros cúbicos em maio, uma queda de 30%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A redução é explicada pela baixa atividade das usinas térmicas e pela concorrência com a britânica BG.No mesmo período em que o volume de gás importado pela Petrobrás diminuiu, a BG aumentou suas importações em 600%, passando de 300 mil para 2,1 milhões de metros cúbicos por dia. A BG estava impossibilitada de trazer gás da Bolívia devido a divergências com a operadora do lado boliviano do gasoduto Bolívia-Brasil, a GTB. Agora, resolvido o problema, a multinacional concorre com a Petrobrás no fornecimento do combustível à distribuidora paulista Comgás, na qual tem o controle acionário.O gerente geral de marketing e comercialização da Gaspetro, subsidiária da Petrobrás para o mercado de gás, José Zonis, admite que a concorrência forçou uma redução nas vendas. "Importamos menos porque as térmicas estão consumindo menos e porque a BG voltou a trazer gás", disse. Para ele, porém, a tendência é que as importações voltem a crescer.ContratoSegundo o contrato assinado com fornecedores bolivianos, a Petrobrás paga mesmo quando não importa o produto. A estatal deveria estar trazendo hoje cerca de 18 milhões de metros cúbicos por dia da Bolívia, a capacidade atual do gasoduto. Mas o mercado não se desenvolveu como se esperava e as vendas continuam em baixa. A companhia está negociando uma redução do preço do produto na Bolívia, para torná-lo competitivo no Brasil."Há um problema, de todos os produtores e não só da Petrobrás, que é o preço do gás, que não é competitivo para térmicas. Devemos sentar-nos e encontrar alternativas para aumentar as vendas", afirmou o presidente da estatal, Francisco Gros. O gás boliviano é vendido no Brasil a US$ 3 por milhão de BTU (unidade de poder calorífico), enquanto o nacional sai a cerca de US$ 2 por milhão de BTU.A Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai propor ao governo a elaboração de uma "Lei do Gás", para regulamentar o setor. "O mercado de gás natural tem especificidades diferentes do petróleo e a Lei do Petróleo não é suficiente para cobrir esse mercado", afirmou o superintendente de comercialização de gás da ANP, Cesário Cecchi. De acordo com ele, a agência já trabalha em uma série de portarias que, após sua aprovação, possibilitarão a realização do concurso aberto para expansão do gasoduto Bolívia-Brasil, suspenso a pedido dos investidores desde o início do ano.

Agencia Estado,

10 de julho de 2002 | 18h13

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