Vieira Neto/ Estadão
Vieira Neto/ Estadão

portfólio

E-Investidor: qual o melhor investimento para 2020?

Petrobrás reduz produção em 200 mil barris diários e posterga parte de salários de gerentes

Petrobrás justifica a redução diante da "contração da demanda por petróleo e combustíveis"

Denise Luna, Luana Pavani e Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2020 | 13h33

RIO e SÃO PAULO - A Petrobrás anunciou nesta quarta, 1, um novo corte de produção diante da forte queda da demanda por petróleo e derivados no Brasil e no mundo. A empresa dobrou o volume que já havia informado que iria reduzir na semana passada, e retirou o prazo para a volta da produção normal, antes previsto para 31 de março. Serão menos 200 mil barris por dia da commodity, de uma produção de 2,7 milhões por dia em fevereiro. A empresa também informou que irá adequar suas refinarias ao mercado, depois de já ter passado de 76% para 74% a capacidade de refino em todo o Brasil no início do ano.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em fevereiro, antes do isolamento social ser intensificado o Brasil, a produção de derivados já havia caído 6%, com destaque para a gasolina (-7,7%) e Querosene de Aviação (-12%). O diesel é o combustível menos afetado por atender o abastecimento de caminhões, responsáveis por 80% do transporte de carga no País. A tendência em março é de que a queda seja ainda mais drástica.

Somente no setor aéreo, a operação atual é apenas 9% do que era no mesmo período do ano passado.

"Existe muita incerteza à frente, com a redução de veículos nas estradas, avião parado nos aeroportos. Enquanto estivermos neste ciclo de parada geral, todo mundo vai reduzir produção. O consumo caiu, todas as empresas irão seguir nesta linha no curto prazo", avalia analista da Mirae Asset Pedro Galdi..

O preço do petróleo tem oscilado fortemente no mercado internacional, em torno dos US$ 25 o barril, o tipo Brent, e US$ 20 o barril o WTI. 

Para o analista da INTL FCStone Thadeu Silva, o preço do barril poderá chegar a US$ 18/US$ 16, já que é preciso uma queda de valor para haver um corte mais drástico na produção e assim equilibrar o mercado. Segundo ele, as refinarias já não têm mais onde colocar tanto petróleo e derivados, o que aumenta o custo da produção.

Além do corte de produção e a redução de refino, a Petrobrás anunciou mais uma série de medidas administrativas visando a redução de gastos operacionais da ordem de R$ 700 milhões. A postergação do pagamento de parte dos salários da alta cúpula da empresa, anunciada dia 26 de março, foi estendida com uma escala entre 10% e 30% para demais empregados com função gratificada (gerentes, coordenadores, consultores e supervisores).

Para reduzir custos, haverá mudança temporária de regimes de turno e de sobreaviso para regime administrativo de cerca de 3,2 mil empregados, e a redução temporária da jornada de trabalho, de 8 horas para 6 horas, de cerca de 21 mil empregados.

A subsidiária integral da Petrobrás, Transpetro, também aprovou um plano de resiliência, que consiste em medidas para reduzir a estrutura de custos, tanto de gastos operacionais quanto de investimentos, postergando ou otimizando desembolsos, no valor de R$ 507 milhões em 2020. Mas não foram divulgados detalhes.

“Existe uma clara preocupação com a contenção de despesas e é um recado claro para o mercado que está sendo esforço para fazer o que for possível", afirma o analista da Ativa Investimentos Ilan Arbetman. "Vejo esse novo corte e as outras medidas como uma demonstração que a governança está fazendo tudo o que pode nesse cenário de coronavírus", avalia.

O analista Renan Sujii, da Harrison Investimentos, afirma que a Petrobrás saiu na frente de outras petroleiras e está tomando as medidas corretas. 

"O corte de produção faz muito sentido à medida que o preço da commodity e o consumo caem. Com a pandemia, ninguém sai de casa e o consumo acaba sendo apenas dos caminhoneiros. Cortar a produção para reduzir custos é muito importante, já que ninguém sabe quanto tempo essa crise vai durar", diz o analista Renan Sujii, da Harrison Investimentos.

Ele diz que a Petrobras reagiu rápido, se adiantou na redução de gastos, o que é fundamental para a proteção do seu caixa. A dúvida é, portanto, a duração da crise e o que mais a empresa poderá fazer para diminuir os prejuízos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.