Petrobrás reduz suprimento de gás

No Rio, indústrias químicas e de vidros pararam a produção porque distribuidoras não tinham o combustível

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

31 de outubro de 2007 | 00h00

A expansão do consumo e a oferta restrita do gás natural obrigaram ontem a Petrobrás a reduzir o fornecimento do insumo para algumas distribuidoras. No Rio, empresas do setor químico e de vidros tiveram de fechar as fábricas no início da manhã por causa da interrupção no suprimento. Até postos de Gás Natural Veicular (GNV) ficaram sem combustível para atender a frota de automóveis.Em nota divulgada no início da noite, a Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro (CEG e CEG Rio), afirmou que a Petrobrás reduziu em 1,3 milhão de metros cúbicos (m3) o suprimento de gás ontem, o que representa queda de 17% no volume entregue pela estatal. Para evitar riscos ao consumo comercial e residencial, 89 postos de GNV tiveram o fornecimento interrompido até as 18h45 de ontem. Grandes fábricas, como Bayer e Prosint, encerraram expediente no início da manhã.Em São Paulo, ainda não houve paralisação, mas a Comgás confirmou que a estatal solicitou redução entre 600 e 800 mil m3/dia de gás natural. Em contrapartida, a Petrobrás fornecerá óleo combustível para atender os consumidores que serão afetados. Ela ficaria responsável por todos os custos dessa operação, destaca o vice-presidente do mercado de grandes consumidores GNV e suprimento de gás da Comgás, Sérgio Luiz da Silva.Segundo ele, a redução representa 5% do volume distribuído pela Comgás. Mas isso afetaria apenas sete clientes, já identificados e que poderiam substituir o combustível. ''''Cinco deles já concordaram em migrar e dois estão em negociação. Essa é a melhor forma de não criar desentendimentos'''', destaca o executivo.Em nota, a Petrobrás disse que as empresas vinham realizando há mais de um ano retiradas do produto superiores ao volume total estabelecido no contrato. (ver quadro). Desde sábado, a Petrobrás foi chamada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para pôr em funcionamento algumas térmicas de sua propriedade, entre elas Araucária e Termorio, ambas gerando cerca de 400 MW cada, destaca o sócio-diretor da Gásenergy, Marco Tavares. Ele explica que, como o País está entrando no período seco, o custo da água sobe e o da energia também. O que permite a entrada em operação de usinas térmicas, mais caras.O ONS tem uma ordem de mérito para pedir o funcionamento das usinas, partindo sempre da energia mais barata, que é o da hidrelétrica. Com menos água nos reservatórios, as térmicas são acionadas por essa ordem de custo. O problema é que há gás suficiente para abastecer térmicas, indústrias, postos de combustíveis, comércio e residências ao mesmo tempo. ''''Isso já vinha sendo alertado'''', diz Tavares.JUSTIÇAO secretário de Desenvolvimento Econômico e Energia do Estado do Rio, Júlio Bueno, disse que o governo vai pedir na Justiça o restabelecimento do fornecimento de gás pela Petrobrás para as duas distribuidoras do Estado, CEG e CEG-Rio. Para o secretário, o problema revela uma falha no modelo de cálculo do sistema elétrico brasileiro, que considera o gás ''''um produto escasso'''', mais barato do óleo diesel ou óleo combustível, que têm ampla disponibilidade de oferta. COLABOROU NICOLA PAMPLONANÚMEROS 1,7 bilhão de m3é a quantidade que a Petrobrás anunciou que deixaria de entregar ontem, segundo nota da Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro17%é a redução do volume entregue pela estatal89 postostiveram o fornecimento interrompido no Rio até as 18h45 para evitar riscos ao consumocomercial e residencial

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