Petrobrás rescinde contrato com consórcio

Sinopec e Galvão Engenharia eram responsáveis pela construção de uma unidade de fertilizantes em MS de R$ 3,1 bi, mas ficaram inadimplentes

MARCELLE GUTIERREZ, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2014 | 02h04

A Petrobrás informou ontem que rescindiu o contrato para construção e montagem da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), em Três Lagoas (MS), em razão do descumprimento do contrato por parte do Consórcio UFN3, formado pelas empresas Sinopec e Galvão Engenharia. "As tratativas relacionadas à rescisão já foram iniciadas", comunicou a empresa.

A Petrobrás ressaltou que está em dia com todos os seus pagamentos e compromissos previstos no contrato e "está atenta às consequências da inadimplência do Consórcio UFN3 com trabalhadores e fornecedores e está tomando todas as medidas ao seu alcance para que o Consórcio UFN3 cumpra com suas obrigações legais".

Segundo a estatal petroleira, as obras de construção da UFN III encontram-se 82% concluídas e o cronograma está sendo refeito para garantir a conclusão do empreendimento no menor prazo possível.

A UFN III produzirá anualmente 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil de toneladas de amônia e está orçada em R$ 3,1 bilhões.

A Unidade de Fertilizantes atenderá preferencialmente os mercados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Paraná.

Chineses. Uma delegação chinesa da Sinopec chegou ao Brasil na quinta-feira para tentar negociar com a Petrobrás uma reversão da decisão da estatal de rescindir o contrato para a construção de unidade de fertilizantes nitrogenados, em Mato Grosso do Sul, em obra desenvolvida pelo consórcio formado pela companhia asiática e a brasileira Galvão Engenharia.

A informação é de uma fonte que acompanha de perto as negociações entre a Petrobrás e o consórcio, que preferiu não ser identificada, já que não tem autorização para falar sobre o assunto com a imprensa.

Ao comunicar ao mercado ontem que o contrato foi rescindido, a Petrobrás limitou-se a acusar o consórcio de descumprimento do que foi acordado, mas não detalha os motivos.

A fonte próxima ao assunto declarou que a obra foi paralisada pelo consórcio há cerca de um mês, depois que esgotaram-se as tentativas de renegociar com a Petrobrás aditivos para a obra.

A Galvão Engenharia é uma das empresas envolvidas na Operação Lava Jato da Polícia Federal que apura um suposto esquema de cartel por companhias que firmavam contratos com a Petrobrás.

Segundo denúncias, havia o pagamento de propinas a pessoas ligadas à petroleira, com repasse de porcentuais para políticos. A fonte afirmou que o contrato, assinado em 2011, passou por modificações solicitadas pela petroleira na linha de montagem industrial. Dessa forma, seria necessário o pagamento de aditivos por custos adicionais do consórcio.

Entretanto, segundo a fonte, após a deflagração da Operação Lava Jato, interlocutores da Petrobrás responsáveis pela renegociação dos contratos desapareceram. Para a fonte, os funcionários têm medo de assinar qualquer papel e acabar envolvido nas denúncias de corrupção.

Com isso, o consórcio resolveu reduzir a velocidade das obras aos poucos, com a consequente demissão escalonada dos trabalhadores, coordenada com o sindicato local, até que há cerca de um mês as obras foram interrompidas.

Em janeiro, quando a obra na cidade de Três Lagoas, estava a pleno vapor, reunia cerca de 6 mil funcionários. Atualmente, há apenas poucos responsáveis pela manutenção e preservação da planta. / COM REUTERS

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