Petrobras retarda planos em álcool por baixa demanda no Japão

A Petrobras reduziu o ritmo de seuplano de investimentos na produção de álcool, devido aodesenvolvimento mais lento que o esperado do mercado japonêspara o biocombustível. Interessada em se tornar uma grande exportadora docombustível renovável, a empresa havia anunciado sua intençãode ter 20 a 30 por cento de participação em 20 destilarias deálcool no Brasil em projetos que envolviam a trading japonesaMitsui . O plano continua, mas apenas três projetos-piloto de usinasvão ser apresentados para aprovação da diretoria da companhia,provavelmente na semana que vem, em vez de cinco inicialmenteprevistos, afirmou o diretor de abastecimento, Paulo RobertoCosta, na quinta-feira. "A gente quer começar com três para sentir o mercado, paraver como está se desenvolvendo...Não adianta querer exportar 5bilhões de litros se o mercado está começando com 500 milhõesde litros", disse ele à Reuters. A Petrobras havia dito em setembro que começaria a aprovarsuas primeiras cinco parcerias para produzir álcool em Goiás eMato Grosso até o fim de outubro, com um investimento estimadopara esta fase de 1 bilhão de dólares. A companhia então deveria anunciar as cinco parceriasseguintes até o fim do ano, dentro de seu plano estratégico deexportar 4,7 bilhões de litros de álcool até 2012. Mas nenhuma delas foi revelada ainda pela companhia. DEMANDA FRUSTRANTE O crescimento na demanda mundial por etanol tem ficadoaquém da expectativa de produtores e traders. O Brasil é o maior exportador do produto no mundo, mas asvendas devem cair este ano e no próximo, devido principalmenteao aumento da produção nos Estados Unidos, a medidasprotecionistas e à hesitação de alguns países em determinarmisturas obrigatórias do combustível à gasolina. "Estávamos conversando mas a velocidade (das decisões) estádiferente do que eu imaginava", disse José Carlos Toledo,acionista do grupo Equipav de açúcar e álcool, de São Paulo. O grupo estava interessado na parceria com a Petrobras emuma usina que deverá ser instalada em Mato Grosso do Sul. Toledo disse acreditar que a lentidão tem mais a ver compreços do que com o interesse externo. "Talvez o Japão tenha coisas mais barats para queimar, nãodá para comparar com coque ou carvão. E tem o deslocamentodaqui para Japão", disse. Toledo acha que compradores internacionais deveriaminclusive pagar um prêmio pelo álcool brasileiro, por suasvantagens ambientais como por exemplo menor emissão de gáscarbônico quando comparado a outros combustíveis. "Ouviu-se muita movimentação um ano atrás, isso foidiminuindo. Alguns empresários que estavam estudando falaramque estavam um pouco decepcionados com a velocidade doassunto", disse uma fonte do setor de Goiás. Costa negou que os planos da Petrobras estejam atrasados edisse estar otimista com as conversações entre a empresa e ogoverno japonês. Mas admitiu que o projeto conta com a demanda. "Se (a venda) andar rápido não vão ser cinco projetos, vãoser 10, 40, mas vai depender da rampa do crescimento do consumolá... Por isso não posso fazer alcoolduto e contratar usinas noBrasil se não está vendendo lá", disse ele. "São dificuldades inerentes à implatação de um combustivelnovo num país distante."

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