Petrobras retoma mais 2 plataformas e produção cai 7%

Grevistas tentam forçar a empresa a considerar o dia do desembarque da plataforma como trabalho

Reuters,

14 de julho de 2008 | 16h11

A Petrobras informou que conseguiu retomar a operação de mais duas plataformas na bacia de Campos e a redução da produção devido à greve dos petroleiros é da ordem de 136 mil barris diários de petróleo, ou 7% da produção total da companhia. Mais cedo, a estatal disse que quatro plataformas estavam paradas e a redução da produção era de 300 mil b/d, ou 16% da produção da empresa, de 1,8 milhão de b/d.  Veja também:Preço do petróleo em altaFalta de equipamentos levará a devolução de blocos, diz LobãoGreve dos petroleiros afeta quatro plataformas, diz LobãoPetroleiros iniciam paralisação no RJ e discutem greve nacional Os petroleiros da bacia de Campos, responsável por 80% da produção nacional, entraram em greve à zero hora desta segunda-feira para tentar forçar a empresa a considerar o dia do desembarque da plataforma como trabalho e não folga. Os trabalhadores se reúnem nesta segunda às 17 horas em assembléia para avaliar o andamento da greve. Segundo os grevistas, a redução da produção foi da ordem de 400 mil barris diários. A greve é restrita à bacia de Campos e promovida pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense. Na terça-feira, a Federação Única dos Petroleiros (Fup) vai se reunir para decidir se estende a greve a outras regiões produtoras do Brasil. No caso da Fup, a reivindicação é por maior participação nos lucros da companhia e mais segurança para os trabalhadores.  Segundo a Petrobras, a equipe de contingência montada pela companhia vai tentar garantir a normalidade do abastecimento nos cinco dias previstos de greve na bacia de Campos e não deverá haver prejuízo à população. "Com o acionamento do Plano de Contingência da companhia, as plataformas da Bacia de Campos continuam produzindo e está garantida a segurança das operações", informou a Petrobras em nota. O sindicato também havia informado mais cedo que os estoques garantiriam o funcionamento das refinarias e que não deveria haver falta de combustíveis líquidos. Um diretor do sindicato alertou, no entanto, para possíveis desabastecimentos de gás natural, o que também foi descartado pela Petrobras. A categoria espera, porém, que as equipes de contingência sejam forçadas a reduzir a produção nos próximos dias, diz o diretor da FUP José Genivaldo da Silva. "São equipes pequenas, que não têm condições de ocupar todos os postos de trabalho necessários para a operação. Trata-se de uma operação muito insegura", diz ele.   A estatal anunciou ainda que conseguiu no Tribunal Regional do Trabalho liminar que garante o desembarque dos grevistas, mas assegura a permanência de quem desejar continuar trabalhando.  Nova proposta "Com as ações adotadas, a companhia mantém o compromisso com a continuidade operacional da empresa, a segurança e o abastecimento do mercado", afirmou a empresa. Sem dar detalhes, a Petrobras informou que apresentou nova proposta para os empregados.  "Com a intermediação do Ministério Público do Trabalho, a Petrobras apresentou uma nova proposta aos empregados e continua empenhada na busca de uma solução rápida e negociada", ressaltou a Petrobras na nota.  De acordo com o sindicato, a greve vai permanecer durante eventuais negociações e ainda não há informação sobre a nova proposta. "A curva da produção da empresa já não estava crescendo bem. Com a greve, pode piorar, e também vai depender do tempo que a greve durar", avaliou o analista do Banco do Brasil Investimentos Nelson Rodrigues de Matos.

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