Petrobras será 'agressiva' em aquisições, diz Zelada

O diretor internacional da Petrobras, Jorge Luiz Zelada, afirmou hoje que a empresa vai ser agressiva quando tiver interesse em comprar outras empresas. Ele fez o comentário ao ser questionado se a aquisição da Esso no Brasil anunciada ontem pela Cosan vai mudar a estratégia da Petrobras (a estatal também disputava a compra da Esso). O executivo reforçou que a empresa continua em estado de avaliação de ativos. "Mas se a Petrobras tiver realmente interesse em algum ativo, ela vai ser agressiva sim", disse. Sobre o interesse da Petrobras em comprar ativos da Esso em outros países da América Latina, Zelada afirmou apenas que compras desse tipo eram "um assunto a ser estudado".Zelada preferiu não fazer maiores observações sobre a decisão da Cosan. "Eu não vejo o que comentar. Houve uma disponibilidade desses ativos no Brasil, houve o resultado e isso está feito. Não vamos comentar sobre isso", disse.O executivo participou hoje da 17ª edição do Café com Energia, evento promovido pela Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP). No evento, Zelada foi questionado várias vezes se a Petrobras já tinha entregado propostas de compra de ativos da Esso em países como o Uruguai, por exemplo. "A Petrobras está avaliando oportunidades", respondeu, acrescentando que a avaliação de oportunidades depende de vários tipos de estudo, ainda não concluídos. Entretanto, concordou que a empresa brasileira, tendo em vista sua presença na América do Sul, e seu planejamento estratégico, está sempre disposta avaliar oportunidades na região.OperaçãoO diretor internacional da Petrobras afirmou que a prioridade da estatal é ser operadora em seus negócios no exterior, e não prestadora de serviços. A observação foi feita ao responder pergunta sobre o mercado do Equador. Rumores sinalizam mudanças na regulamentação do setor de petróleo daquele país, que pode estar estudando modificar o perfil das operadoras estrangeiras de petróleo, naquela região, para se tornarem prestadoras de serviço.Zelada comentou que, até o momento, nada mudou em relação às atividades e estratégia da Petrobras no Equador. Quando questionado do que achava do fato de o governo equatoriano estudar contratos de seis meses para as empresas de petróleo se transformarem em prestadoras de serviço no país, o executivo respondeu apenas que desconhece oficialmente essa informação. "A Petrobras é uma operadora. Se existe uma oportunidade de ser prestadora de serviços, não é nossa prioridade. (...) A Petrobras é uma empresa operadora e entrou lá (no Equador) como operadora e não prestadora de serviços", disse.Entretanto, o executivo reforçou a idéia de que a estratégia da Petrobras tem que ser avaliada tendo em vista as condições e contexto de cada País, e de que não existe uma solução única que defina como vai ser a presença da empresa em todos os países. Ele deu como exemplo o caso da Bolívia, que também realizou mudanças em suas regras no setor de petróleo. "Isso não impediu que a Petrobras permanecesse naquele país até hoje", afirmou.PetroquisaO diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que a empresa está reavaliando a Petroquisa (braço petroquímico da estatal) e não descartou a possibilidade de sua extinção. "Estamos reavaliando o posicionamento dela (Petroquisa), porque os últimos grandes ativos na área petroquímica foram adquiridos diretamente pela Petrobras", comentou.Ele negou, no entanto, que a decisão já tenha sido tomada e não quis comentar a possibilidade que vem sendo comentada de que a estatal criaria uma diretoria específica para cuidar dos ativos neste segmento. "O que existe hoje é uma gerência executiva de petroquímica, subordinada à diretoria de Abastecimento da Petrobras", afirmou.

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