Petrobras serve de modelo à Bolívia, diz embaixador

O embaixador da Bolívia no Brasil, Felipe Tredinnick, disse que a Petrobras serve de modelo para a empresa petrolífera boliviana, ?que está fazendo hoje o que a Petrobras fez há 30, 40 anos?. ?É um modelo. Nós estamos aproveitando este modelo e a Petrobras tem paternidade em relação a investimentos petrolíferos?, afirmou em entrevista à BBC Brasil. ?Eu era estudante e me lembro do slogan na época: o petróleo é nosso.?É esta, segundo ele, a inspiração da estatal boliviana, que no ano passado foi reformulada e a partir da nova legislação dos hidrocarbonetos deve ter participação em todas as empresas estrangeiras que atuam no país. A intenção, segundo o governo, é capitalizar a empresa para que no futuro ela tenha capacidade de investimento própria.O preço pedido pela Bolívia para o gás importado pelo Brasil é o ?preço justo?, diz ele, considerando que esta é a principal riqueza do país. ?Não queremos vender a um preço solidário, mas a um preço justo?, afirma.Tredinnick está no cargo em Brasília há apenas um mês, mas já havia trabalhado na embaixada brasileira, então no Rio de Janeiro, nos anos 60. Antes do posto atual, o segundo embaixada mais importante para a diplomacia boliviana depois de Washington, era ministro da Corte Suprema de Justiça da Bolívia.AjustesO embaixador classifica o atual momento das relações entre Brasil e Bolívia como uma ?época de ajustes?. ?Temos muito bons contatos. Acredito que no final das contas os ajustes serão muito positivos tanto para a Bolívia quanto para o Brasil?, afirma.Além do preço do gás importado pelo Brasil, um dos assuntos mais importantes na agenda dos dois países é a regularização dos milhares de bolivianos que vivem ilegalmente no Brasil, principalmente em São Paulo.Apesar das declarações do governo de Morales de que pretende estatizar vários setores da economia boliviana, ele diz que as empresas brasileiras serão tratadas de maneira especial, ?com muito cuidado, com muito respeito?.No fim da semana passada o governo anunciou a nacionalização de uma fundição de capital suíço, afirmando que ela havia sido privatizada de maneira danosa ao país pelo ex-presidente Gonzalo Sanchez de Losada, utilizando dinheiro público para beneficiá-lo.Tredinnick diz que o caso não deve se repetir com empresas como Petrobras ou outras brasileiras. ?São duas coisas diferentes. Haverá um tratamento completamente diferenciado. Com a Petrobras haverá grande consideração, porque é uma empresa de um grande país amigo, irmão, vizinho.?Ele diz que o governo está tentando agir com cuidado ?para não criar caso na economia boliviana?. ?Está levando as coisas com cuidado, vendo onde pode nacionalizar?, afirmou.

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