Petrobras suspende investimentos na Bolívia por falta de diálogo

A Petrobras interrompeu os seus investimentos na Bolívia até que sejam retomadas as negociações com o Governo de Evo Morales, disse hoje o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. "Estamos preocupados, porque existe um conjunto de investimentos que têm que ser feitos e cujo processo decisório está dependendo do que vai acontecer na Bolívia", disse Gabrielli, em entrevista à EFE."Se nós não tivermos um processo de negociação claramente em curso, teremos que retardar as nossas decisões. Começamos a ficar preocupados com as declarações das autoridades da Bolívia responsáveis pela área de hidrocarbonetos", acrescentou.A Petrobras é o principal investidor estrangeiro na Bolívia e controla a maior parte da indústria de hidrocarbonetos desse país, incluindo um gasoduto binacional com capacidade para transportar até 30 milhões de metros cúbicos de gás natural, destinado a regiões industriais do Brasil.Gabrielli disse que desde o início de fevereiro as conversas com as autoridades bolivianas estão suspensas e não há um interlocutor claro. O processo de nacionalização da indústria de hidrocarbonetos, aberto pelo Governo do presidente Morales, criou um novo cenário para as transnacionais do setor, como a Petrobras, admitiu Gabrielli."Nós somos uma empresa produtora de petróleo, não queremos ser uma prestadora de serviços", acrescentou, comentando o risco apresentado pela nova política. "Na medida em que não tenhamos condições de administrar a produção de nossas reservas, a Petrobras se tornaria uma prestadora de serviços", declarou.ConfiançaGabrielli confiou, no entanto, na retomada do processo de negociações, considerando os interesses de ambas as partes. "A Bolívia precisa do Brasil e o Brasil precisa da Bolívia", disse, para depois insistir que a solução é possível "se os canais de diálogo estiverem abertos". "Ser não tivermos um interlocutor, se nós formos submetidos a decisões unilaterais, nós vamos reagir unilateralmente também", disse.Ao ser perguntado se o novo cenário poderia determinar a saída da Petrobras da Bolívia, Gabrielli não quis dar uma resposta.

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