Petrobrás tem 1ª queda de produção em 8 anos

Recuo de 2,35% em 2012 na comparação com 2011 foi pior que o previsto pela diretoria

SABRINA VALLE , SERGIO TORRES / RIO, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2013 | 02h08

A produção da Petrobrás em 2012 caiu 2,35% em relação a 2011, um recuo pior do que o previsto pela cúpula da petroleira. A empresa reconhecia uma queda máxima de 2%, o que considerava margem de erro. O resultado representa, também, a primeira queda de produção desde 2004 (1,493 milhão de barris por dia), quando houve recuo de 3% em relação a 2003 (1,54 milhão).

A Petrobrás conseguiu elevar a produção em 3,2% em dezembro ante novembro, fechando três meses de alta. Mas a recuperação no último trimestre foi insuficiente, o que fez com que a companhia completasse dez anos sem cumprir as metas anuais. O resultado de 2012 ocorreu mesmo após a presidente da empresa, Graça Foster, ter recalibrado as metas para baixo, para torná-las mais realistas.

A queda da produção na maior bacia do País (Campos) no terceiro trimestre e paradas não programadas para manutenção atrapalharam as previsões. Em 2012, a empresa produziu 1,974 milhão de barris por dia, ante 2,022 milhões do ano anterior. Os dados foram divulgados ontem pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A Petrobrás não fez comentários sobre o decréscimo.

A produção de todas as companhias que atuam no Brasil - 94,1% da extração de petróleo e gás são provenientes de campos operados pela Petrobrás - caiu 4,9% em dezembro de 2012 em relação ao mesmo mês de 2011, apontou a ANP.

Para o analista Eduardo Roche, da gestora Modal Asset, os dados de produção da Petrobrás já eram previstos pelo mercado. "Os números mostram que houve uma recuperação, conforme a empresa vinha falando. Os meses de novembro e dezembro têm sido os melhores dos segundos semestres", disse o especialista, sobre a recuperação da produção no último bimestre de 2012.

Em todo o ano de 2012, a produção nacional atingiu 754 milhões de barris diários de petróleo e 26 bilhões de metros cúbicos de gás natural, conforme o balanço da ANP. A média de produção foi de 2.067 mil barris de petróleo e 71,7 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

Possibilidade. A queda de produção era uma possibilidade antevista pelos executivos da Petrobrás. Em entrevistas no segundo semestre de 2012, integrantes da atual diretoria da petroleira já tinham dito que a produção final do ano oscilaria numa margem de erro de 2% para cima ou para baixo.

O diretor de Exploração e Produção (E&P), José Miranda Formigli Filho, garantiu que a redução não seria superior a 2%. Em dezembro, a produção da companhia ficou em 1,958 milhão barris diários, uma queda de 1,68% em relação ao mesmo mês de 2011, embora represente uma recuperação em relação a novembro.

De acordo com a ANP, o campo de Marlim Sul, na bacia de Campos (litoral norte do Estado do Rio e sul do Espírito Santo), foi o que mais produziu petróleo: 346,3 mil barris de óleo equivalente por dia. O campo registra também a condição de segundo maior produtor de gás natural do País. O maior campo produtor de gás foi Manati, na bacia de Camamu (Bahia), responsável pela produção de 6,3 milhões de metros cúbicos diários.

Já a produção da camada pré-sal nas bacias de Campos e Santos (SP) aumentou 7,5% em relação a novembro de 2012, com a produção de 292,5 mil barris de óleo equivalente por dia. / COLABOROU MÔNICA CIARELLI

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