Petrobrás tem de 'rezar' para petróleo não subir, diz analista

Segundo Adriano Pires, do CBIE, recente alta do dólar em relação ao real deixou estatal em situação ainda mais delicada

André Magnabosco, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2013 | 02h04

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, acredita que só resta à Petrobrás "rezar" para que a situação econômica não se torne mais desfavorável à estatal. Na visão do especialista, a recente alta do dólar em relação ao real deixa a Petrobrás ainda mais à mercê de fatores sobre os quais não possui controle.

Para a estatal, o dólar valorizado é particularmente adverso por causa da ingerência do governo federal sobre os preços dos combustíveis vendidos no mercado doméstico, diz.

"A Petrobrás precisa rezar para o preço do petróleo não aumentar e o dólar não se valorizar ainda mais", afirmou Pires em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. "Fatores exógenos estão comprometendo a situação da empresa", complementou o diretor do CBIE, em referência à oscilação de preços do câmbio e do barril do petróleo.

O dólar valorizado torna as importações de combustíveis, como gasolina e diesel, ainda mais onerosas. Como a Petrobrás não tem autonomia para reajustar os preços praticados no Brasil, segundo análise de Pires, o momento se mostra bastante delicado e, no curto prazo, sem qualquer sinalização de mudanças.

"A Petrobrás precisaria fazer como qualquer outra empresa: aproveitar que os preços (internacionais) estão subindo e as vendas também para aumentar os preços", destaca. Mas o preço dos combustíveis é considerado um tema delicado para o governo federal, por causa de seu impacto nos indicadores inflacionários. Por isso, os reajustes precisam do aval federal, que, em um período de inflação elevada, deve optar por adiar novos aumentos. "Não há solução. A Petrobrás continuará torcendo para que o buraco não se aprofunde", diz Pires.

Efeito. A recente alta do dólar praticamente anulou o efeito dos reajustes aplicados pela estatal no início deste ano. De acordo com levantamento elaborado pelo CBIE, a diferença entre o preço da gasolina importada e o produto vendido nacionalmente está em 15,4% nesta semana, praticamente no mesmo patamar do fim de janeiro - antes, portanto, do reajuste de 6,6% aplicado na gasolina nesse período. O mesmo levantamento aponta que, desde o início do atual ciclo de aumento do dólar em relação ao real, a diferença na defasagem apresentou uma expansão de quase seis pontos porcentuais. A variação, dessa forma, amplia ainda mais o prejuízo da Petrobrás com a operação de importação de combustíveis e posterior revenda desse produto importado no mercado doméstico.

"A Petrobrás vive uma situação 'sui generis'", diz o diretor do CBIE. "É a única empresa que perde mais quanto maiores forem suas vendas de combustíveis." Outra particularidade, segundo ele, é a necessidade de a Petrobrás, uma das grandes produtores de petróleo do mundo, torcer para que o preço da commodity não suba.

Afinal, uma elevação do preço do petróleo reflete diretamente nos preços de derivados como gasolina e diesel e resultam, diretamente, na elevação dos custos de importação para a estatal brasileira.

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