Petrobrás tem investimento garantido por dois anos

Segundo Gabrielli, dependendo do preço do petróleo, a receita da Petrobrás e os recursos já captados garantem investimentos por 5 anos

Irany Tereza e Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

As captações financeiras feitas pela Petrobrás nos primeiros cinco meses do ano, que somaram US$ 31 bilhões considerando a taxa de câmbio de R$ 2, poderão financiar os investimentos da estatal num prazo entre dois e cinco anos, dependendo do comportamento do preço internacional do petróleo.Em entrevista à Agência Estado na sexta-feira passada, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, revelou que a empresa trabalha com dois tipos de cenário, de maior e menor nível de estresse no mercado: "É muito difícil fazer projeção. Estamos trabalhando com duas curvas de preço. Uma que chamamos de curva de estresse, prevê US$ 37 (como preço de referência do barril de petróleo)para este ano; US$ 40 para 2010, e US$ 45 para 2011. E outra, que dá uma média de US$ 65. Se o preço do petróleo ficar nesta curva mais baixa, o que nós captamos dá para financiar dois anos de nosso investimento. Se o preço fica mais próximo dos US$ 65, com os US$ 31 bilhões financiamos cinco anos. Então, dependendo do preço do petróleo, o que captamos já é suficiente para financiar dois ou cinco anos", afirmou o executivo. Deve sair nos próximos dias a liberação de um financiamento de R$ 25 bilhões do BNDES para a Petrobrás, que será feito por meio de transferência de títulos do Tesouro Federal. De acordo com Gabrielli, o repasse será feito integralmente e não em parcelas, como chegou a ser cogitado. "Vamos pegar tudo de uma vez. Vamos ajustando e vamos jogar no mercado conforme for preciso", esclareceu. Este é o maior aporte de todas as captações feitas até agora, que foram detalhadas da seguinte forma pelo presidente da Petrobrás: "Captamos - usando como taxa de câmbio R$ 2 - US$ 12,5 bi do BNDES, US$ 10 bi da China, US$ 6,5 bi de um sindicato de bancos e US$ 2 bilhões do US Eximbank". Ele comentou que estes recursos já estão "de bom tamanho" para o nível de investimentos da companhia, mas não descartou novas idas ao mercado: "Se tivermos oportunidade, fazemos", comentou. Gabrielli esclareceu que dos US$ 6,5 bilhões obtidos com um sindicato de bancos, US$ 1,5 bilhão já sofreu alongamento de prazo de dois para10 anos, com a transformação de empréstimo-ponte em bond e adiantou: "Podemos fazer operação de bonds a qualquer momento". Gabrielli comentou, ainda, que a proposta para a nova regulamentação do setor para incluir as áreas de pré-sal ainda está passando por ajustes. Mas, se colocou favorável à criação de uma nova estatal, desde que não seja operacional. O executivo, que já havia se manifestado contrário à criação de uma nova empresa estatal, diz que não mudou de posição. Apenas o modelo foi sendo aperfeiçoado. "Sempre fui contra a ideia de uma estatal operacional, mas sempre fui a favor do aumento do papel do Estado na regulação e na operação do pré-sal", afirma. Ele argumentou que o marco regulatório brasileiro atualmente em vigor feito num momento completamente diferente do atual. Mas, não quis adiantar detalhes sobre a decisão do Conselho Nacional de Pesquisa Energética (CNPE), que será enviado para avaliação do presidente Lula. "O Brasil não tinha recursos internacionais adequados por causa das crises financeiras nacional e internacional na década de 90; a Petrobrás estava começando a crescer; nós não tínhamos ainda descobertas de grandes reservatórios novos e grandes áreas exploratórias novas. Portanto, se fez um marco regulatório que privilegia e remunera quem assume risco exploratório. A empresa que queira assumir o risco regulatório vai ser remunerada, porque vai ser dona de seu petróleo", afirmou. Este sistema, que vigora até hoje, foi inteiramente encampado pela Petrobrás, lembra Gabrielli. A estatal assumiu o risco exploratório durante anos, com investimentos pesados em exploração, até a descoberta das megajazidas do pré-sal.

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