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Petrobrás registra lucro de R$ 6,6 bilhões, mas frustra expectativas e ações caem

Resultado foi beneficiado pela alta do preço do petróleo e, se não fosse o pagamento de R$ 3,5 bilhões à Justiça dos EUA, ganhos da petroleira teriam ultrapassado a marca dos R$ 10 bilhões no terceiro trimestre; papéis da companhia recuaram 3,4%

Daniela Amorim e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2018 | 08h36
Atualizado 06 Novembro 2018 | 23h06

RIO - A Petrobrás fechou o terceiro trimestre deste ano com lucro de R$ 6,64 bilhões, 25 vezes maior do que o do mesmo período do ano passado. O resultado foi beneficiado pela alta do preço do petróleo e dos seus derivados. Não fosse o pagamento de R$ 3,5 bilhões à Justiça dos Estados Unidos, a petroleira teria contabilizado um lucro superior a R$ 10 bilhões de agosto a setembro e de R$ 28 bilhões no acumulado do ano. Mesmo assim, o desempenho ainda ficou aquém do projetado pelo mercado, o que levou a uma queda de 3,44% nas ações preferenciais, sem direito a voto, da companhia.

Em entrevista, o presidente da petroleira, Ivan Monteiro, garantiu que as principais metas de desempenho (financeira, de produção e segurança) serão alcançadas. Já o plano de vender US$ 21 bilhões em ativos foi descartado. Monteiro admitiu que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de vincular a venda de controle de estatais ao Congresso inviabilizou quatro grandes negociações. A expectativa é fechar 2018 com um desinvestimento de US$ 7 bilhões.

Atualmente, a empresa mantém 11 negociações abertas e concluiu outras dez, das quais duas ainda dependem de aprovações externas. Mesmo sem contar com todo o dinheiro que planejava para compor o seu caixa, a estatal vai alcançar a métrica financeira, que limita o endividamento a 2,5 vezes a geração de caixa. No fechamento do terceiro trimestre, essa relação estava em 2,96 vezes. O esperado é chegar ao fim do ano com dívida inferior a US$ 70 bilhões. 

“As variáveis externas são importantes para o nosso negócio de commodities, mas sem ter o exercício interno de disciplina e controle de gastos não é possível capturar o benefício (de valorização do petróleo), como aconteceu com a companhia no passado”, disse o diretor Financeiro, Rafael Grisolia. 

Subsídio

A Petrobrás também foi beneficiada no terceiro trimestre pelo crescimento da venda de óleo diesel por conta do programa de subvenção do governo federal (em resposta à greve dos caminhoneiros) e da sazonalidade. Sem a competição de importadores, que não gostaram das condições impostas no programa de subsídio, a participação de mercado da estatal subiu de 87% em junho deste ano, quando o Tesouro passou a custear até R$ 0,30 de cada litro do combustível vendido, para 93% em setembro.

A produção de petróleo, no entanto, caiu 5% do segundo para o terceiro trimestre – de 2,66 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d, que inclui petróleo e gás natural) para 2,51milhões de boe/d. O desempenho da empresa foi prejudicado pelas paradas programadas de plataformas para manutenção e pela venda de 25% de participação do campo de Roncador à norueguesa Equinor.

Em relatório, o banco Santander destacou que os resultados no trimestre ficaram 5% abaixo das suas estimativas e que, apesar dos ganhos operacionais, a geração de caixa da empresa caiu de R$ 12 bilhões no segundo trimestre para R$ 2,3 bilhões no terceiro trimestre.

“Mas reiteramos nossa visão positiva para a empresa em 2019, sustentada por uma queda contínua na alavancagem (compromisso do caixa com o pagamento da dívida), impulsionada por resultados sólidos e pela retomada do programa de desinvestimento da empresa”, escreveram os analistas Christian Audi, Gustavo Allevato e Rodrigo Almeida.

Já o JPMorgan avaliou que o balanço da Petrobrás veio, em grande parte, alinhado às suas expectativas e ao consenso de mercado. Em sua análise, o analista Rodolfo Angele ressaltou, porém, o fraco desempenho do segmento de refino em função do incêndio na Refinaria de Paulínia, a Replan, no fim de agosto./ COLABOROU MÁRCIO RODRIGUES

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