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Petrobras tem prejuízo de R$ 112,3 milhões com térmicas

Depreciados devido ao fim do racionamento os investimentos em térmicas da Petrobras começam a dar prejuízo. Em seu balanço do primeiro trimestre, a estatal registrou perda de R$ 112,332 milhões a título de "contingências contratuais com térmicas". O valor corresponde à garantia de compra da energia gerada pelas térmicas Eletrobolt e Macaé Merchant, em operação desde o fim do ano passado, sem a conseqüente revenda ao mercado por preços atrativos. Pagamento Para assegurar os investimentos das térmicas considerados prioritários pelo governo para reduzir o risco de corte no fornecimento de energia, a Petrobras celebrou contratos que davam aos investidores um retorno mínimo correspondente a uma parte da capacidade da térmica. Mesmo que esta energia não chegasse ao consumidor final, a estatal pagaria por ela. Além do risco natural desta cláusula, a Petrobrás foi atropelada pela trajetória dos preços de energia no País. Como o preço do Mercado Atacadista de Energia (MAE) despencou de R$ 684 (do fim de junho a setembro, na Região Sudeste), durante o período de racionamento, para R$ 4,66 em janeiro deste ano - e os níveis dos reservatórios das hidrelétricas garantiram o abastecimento em todo o território nacional - a Petrobras não conseguiu vender a sua parcela da produção das térmicas no mercado, avaliam analistas. Os diretores da estatal passaram a tarde de hoje (23) em reuniões e não atenderam às solicitações de entrevista feitas pela Agência Estado. Mas em conferência telefônica com analistas de mercado há dez dias, o diretor financeiro da empresa, João Nogueira Batista, confirmou que as perdas, que mereceram nota específica no balanço, referiam-se às duas usinas. Na teleconferência, analistas do mercado financeiro estranharam o súbito crescimento de despesas na rubrica "outras despesas operacionais". Os diretores foram indagados a respeito e acabaram detalhando o destino destes gastos. A expectativa do mercado é de que a companhia continue a registrar prejuízo com as térmicas nos próximos meses, devido às perspectivas de que o preço da energia continue baixo. Valor fixo Segundo o contrato de suprimento de gás natural assinado com Enron e El Paso, controladoras das usinas, a Petrobras compra capacidade das duas térmicas, a exemplo do que faz a Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial (CBEE), empresa criada pelo governo para garantir a compra da eletricidade produzida em regime de urgência pelas "usinas móveis". Ou seja, a empresa paga uma quantia fixa por mês, mesmo que as empresas não gerem energia. Se produzirem, parte da produção fica com a estatal, para ser revendida no mercado. De acordo com um executivo que participou das negociações dos contratos, a Petrobras assumiu uma parcela do risco do investimento para tornar viável sua execução e, assim, criar mercado para o gás natural produzido na Bacia de Campos. "Na época estava faltando energia, as empresas acreditavam que iam ganhar muito dinheiro com a venda da produção das térmicas" analisa o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). A Eletrobolt e a Macaé Merchant começaram a operar na virada de outubro para novembro de 2001, ainda durante o racionamento. Este ano, porém, com as chuvas que encheram os reservatórios das hidrelétricas, as empresas passaram a gerar energia apenas por necessidade operacional - ou por segurança das linhas de transmissão, pois estão perto do centro de consumo ou para compensar a parada para manutenção da usina nuclear de Angra 2. Nestes casos, porém, a energia é vendida a preço de custo e não pelo valor de mercado. "Hoje, dadas as regras do sistema e a condição dos reservatórios, nem Petrobras nem El Paso ou Enron, fariam o investimento", aposta Pires. As usinas merchant (mercantis) são concebidas para vender energia no MAE, que está paralisado. Por isso, as empresas assinaram um acordo com a CBEE, que adiantará para os investidores o pagamento pela venda da energia. Mesmo assim, o atual preço do MAE, de R$ 21,16, não garante retorno aos investidores. Para evitar maiores prejuízos, Petrobrás, Enron e El Paso buscam interessados em contratos bilaterais de compra e venda desta energia.

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