Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Petrobrás tem prejuízo pela 3ª vez seguida

Estatal encerrou o primeiro trimestre deste ano com perdas de R$ 1,246 bilhão e cita despesas com juros, efeito cambial e redução da produção de petróleo

O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 18h26
Atualizado 12 de maio de 2016 | 21h23

A Petrobrás amargou seu terceiro prejuízo trimestral consecutivo ao encerrar o mês de março com perdas de R$ 1,26 bilhões – uma queda de 123% em relação ao mesmo período do último ano. O resultado esteve perto da pior estimativa do mercado financeiro que, na média das projeções, esperava lucro superior a R$ 2 bilhões. A estatal ampliou despesas de capital e teve suas receitas abaladas pelo cenário econômico ruim - com queda de produção e menor volume de vendas de combustíveis.
 
"A Petrobrás é uma empresa com nível de colesterol alto, que é a sua alavancagem (elevado endividamento). Se uma pessoa com colesterol alto vai ao médico, ele prescreve um remédio, mas diz que tem que ter uma vida mais saudável. E estamos trabalhando todos os dias para ter uma Petrobras mais saudável", explicou o diretor financeiro da estatal, Ivan Monteiro.
 
Entre janeiro e março, a estatal registrou uma queda de 8% nas vendas de combustíveis no País, reflexo da crise econômica. A Petrobrás também sofreu com a queda nas vendas de combustível para usinas termoelétricas – 54% somente no óleo diesel, na comparação com o primeiro trimestre de 2015. Com menor demanda de energia no País, em face da recessão, a empresa registrou prejuízo de R$ 1,4 bilhão na área de Gás e Energia – resultado 30% pior em relação ao último ano.
 
A produção de petróleo e gás no trimestre caiu 7% frente ao último ano em função da parada de plataformas para manutenção. “É inadmissível uma empresa investir tanto e regredir a um nível de 2005 na produção. Há ineficiência. Esse resultado não muda em absolutamente nada a trajetória da empresa no curto prazo”, pontuou Flávio Conde da consultoria What’sCall.
 
No aspecto financeiro, a companhia também sofreu, prejudicada por despesas de capital, como a variação cambial sobre o endividamento e a cobrança de juros. A Petrobrás justificou a alta de gastos administrativos com a manutenção de sondas e equipamentos ociosos. No trimestre, o investimento da estatal foi cerca de 13% menor que o realizado no último ano, cerca de R$ 14 bilhões.
 
“Se ela mantiver o patamar de investimento até o final do ano, isso representará um corte muito radical que mostra a dificuldade de manter a trajetória de crescimento de produção”, avalia o professor Edmar de Almeida, da UFRJ. “É um dilema: para preservar caixa e pagar dívidas, tem que sacrificar o investimento e isso pode estar por trás dessa dificuldade de aumentar a produção. Analistas estão esperando a reversão da trajetória de deterioração econômica da empresa e isso está demorando”, completa.
 
A estatal divulgou ainda que a dívida total atingiu R$ 450 bilhões ao final do 1º trimestre de 2016, uma redução de 9% em relação ao fim de 2015. Apesar deste recuo, a Petrobrás prosseguiu seu esforço em vender ativos e reduzir investimentos para conter o alto endividamento. Antes da divulgação do resultado, as ações da companhia foram negociadas em queda na BMF&Bovespa, entre 1,55% para as ordinárias, e 4,49%, para as preferenciais.

A Petrobrás amargou seu terceiro prejuízo trimestral consecutivo ao encerrar o mês de março com perdas de R$ 1,26 bilhões – uma queda de 123% em relação ao mesmo período do último ano. A estatal ampliou despesas de capital e teve suas receitas abaladas pelo cenário econômico ruim - com queda de produção e menor volume de vendas de combustíveis.

"A Petrobrás é uma empresa com nível de colesterol alto, que é a sua alavancagem (elevado endividamento). Se uma pessoa com colesterol alto vai ao médico, ele prescreve um remédio, mas diz que tem que ter uma vida mais saudável. E estamos trabalhando todos os dias para ter uma Petrobras mais saudável", explicou o diretor financeiro da estatal, Ivan Monteiro.

Entre janeiro e março, a estatal registrou uma queda de 8% nas vendas de combustíveis no País, reflexo da crise econômica. A Petrobrás também sofreu com a queda nas vendas de combustível para usinas termoelétricas – 54% somente no óleo diesel, na comparação com o primeiro trimestre de 2015. Com menor demanda de energia no País, em face da recessão, a empresa registrou prejuízo de R$ 1,4 bilhão na área de Gás e Energia – resultado 30% pior em relação ao último ano.

A produção de petróleo e gás no trimestre caiu 7% frente ao último ano em função da parada de plataformas para manutenção. “É inadmissível uma empresa investir tanto e regredir a um nível de 2005 na produção. Há ineficiência. Esse resultado não muda em absolutamente nada a trajetória da empresa no curto prazo”, pontuou Flávio Conde da consultoria What’sCall.

No aspecto financeiro, a companhia também sofreu, prejudicada por despesas de capital, como a variação cambial sobre o endividamento e a cobrança de juros. A Petrobrás justificou a alta de gastos administrativos com a manutenção de sondas e equipamentos ociosos. No trimestre, o investimento da estatal foi cerca de 13% menor que o realizado no último ano, cerca de R$ 14 bilhões.

“Se ela mantiver o patamar de investimento até o final do ano, isso representará um corte muito radical que mostra a dificuldade de manter a trajetória de crescimento de produção”, avalia o professor Edmar de Almeida, da UFRJ. “É um dilema: para preservar caixa e pagar dívidas, tem que sacrificar o investimento e isso pode estar por trás dessa dificuldade de aumentar a produção. Analistas estão esperando a reversão da trajetória de deterioração econômica da empresa e isso está demorando”, completa.

A estatal divulgou ainda que a dívida total atingiu R$ 450 bilhões ao final do 1º trimestre de 2016, uma redução de 9% em relação ao fim de 2015. Apesar deste recuo, a Petrobrás prosseguiu seu esforço em vender ativos e reduzir investimentos para conter o alto endividamento. Antes da divulgação do resultado, as ações da companhia foram negociadas em queda na BMF&Bovespa, entre 1,55% para as ordinárias, e 4,49%, para as preferenciais.

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