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Petrobrás terá 1% de desconto na compra da Suzano Petroquímica

Preço final da compra, que criou polêmica, deve ser anunciado na próxima sexta-feira

Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

O valor final de compra da Suzano Petroquímica ficará 1% abaixo do preço de R$ 2,7 bilhões anunciado pelo Petrobrás no dia 3 de agosto, revela uma fonte ouvida pelo Estado. O desconto final ficará em R$ 27 milhões e se refere, basicamente, a uma reavaliação de quanto vale a participação da Suzano na Petroflex, que tem ainda como sócios a Braskem e a Unipar. O fechamento da operação de compra da Suzano Petroquímica pela Petrobrás acontecerá no dia 30, no Rio de Janeiro.Depois do primeiro anúncio do negócio, em agosto, a Petrobrás começou a fazer uma avaliação detalhada do valor da Suzano. Pelo acordo entre as duas empresas, a diferença de preço entre o valor anunciado e o pagamento final não poderia ser maior do que R$ 80 milhões. Essa era a margem para mudar o valor do cheque, para mais ou para menos. Ficou em R$ 27 milhões para menos.Quando o negócio foi anunciado, o preço foi considerado alto por investidores e analistas de mercado. Uma dia antes de anúncio da compra, o valor de mercado da Suzano Petroquímica - se consideradas as ações preferenciais negociadas no mercado - era de R$ 1,3 bilhão, preço R$ 1,4 bilhão abaixo do valor oferecido. A negociação inclui unidades de produção de polipropileno e participações acionárias nas centrais Petroquímica União (PQU), em São Paulo, e Rio Polímeros (Riopol), no Rio de Janeiro.A Petrobrás alegou, na ocasião, que a qualidade dos ativos da Suzano e os ganhos de produtividade que poderiam ser obtidos quando a empresa fosse incorporada justificavam o preço. O Estado apurou que os cálculos feitos pelas duas empresas indicam ganhos superiores a R$ 2,5 bilhões com o aumento da eficiência das operações com a união das operações.Especialistas haviam considerado o preço da Suzano muito elevado em relação a outras aquisições que haviam ocorrido no mercado petroquímico nos últimos anos. O preço de venda mais a assunção de dívidas foi de 9,3 vezes a geração de caixa da Suzano Petroquímica em um ano. A compra da Ipiranga Petroquímica pela Braskem, pelo Ultra e pela Petrobrás, em março deste ano, por exemplo, teria sido de seis vezes se considerado o mesmo critério.SEM AVALIAÇÃOA Petrobrás só iniciou uma avaliação interna na Suzano Petroquímica depois de feita a oferta de compra. Ao contrário do procedimento tradicional em aquisições deste porte, a Petrobrás não fez qualquer avaliação dos ativos da divisão petroquímica da Suzano antes de dar um lance. "Não houve due diligence", confirmou a fonte.A decisão da Petrobrás de comprar a Suzano destravou um impasse entre a própria Suzano e a Unipar na formação de uma grande companhia petroquímica no Sudeste (CPS). A Petrobrás assumiu a dianteira desta operação e negocia agora a criação de uma super petroquímica com a Unipar.A estatal quer anunciar nos próximos dias o modelo final de fusão entre os ativos petroquímicos da Unipar e os da Petrobrás para a formação da CPS. O plano é anunciar tudo na sexta-feira que vem, incluindo o acerto da Petrobrás com a Suzano e a criação da nova petroquímica do Sudeste.VALOR DO NEGÓCIOA expectativa é que não haja surpresa na formação da nova companhia petroquímica. Como previsto no fato relevante assinado entre Petrobrás e Unipar, o controle da nova companhia será privado. Mas, ao contrário da previsão, a divisão não será 60% do capital privado e 40% estatal.A reportagem do Estado apurou que a Unipar terá de fazer uma operação financeira de R$ 700 milhões para alcançar o controle com 51% do capital. Os fundos Previ e Petros podem entrar no negócio. "O valor necessário para a Unipar pode até ser menor do que esse. O problema maior é um acordo de acionista e um plano de governança", explica a fonte.Ainda não se sabe a forma final do acordo de acionista. Como "minoritário relevante", a Petrobrás deverá ter membros no Conselho de Administração da nova companhia. Há dúvidas se haverá co-gestão da companhia ou direito de veto nas decisões mais importantes.NÚMEROSR$ 27milhõesserá o desconto que a Petrobrás terá na compra da Suzano Petroquímica depois de fazer a avaliação dos ativosR$ 2,7bilhõesfoi a oferta que a estatal fez pelos ativos da Suzano Petroquímica no início de agostoR$ 1,3 bilhãoera o valor da Suzano Petroquímica um dia antes de receber a oferta de compra da PetrobrásR$ 700 milhões é o valor que terá de ser levantado pela Unipar para que o grupo consiga alcançar o controle de 51% do capital da nova companhia do Sudeste

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