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Petrobrás terá 'ajuda' no leilão de Libra

Acordo com chineses incluiria a troca de pagamento de bônus do leilão por petróleo

JOÃO VILLAVERDE / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h13

As empresas estatais chinesas devem pagar parte do valor que cabe à Petrobrás no bônus de assinatura dos contratos do leilão do pré-sal no bloco de Libra (SP). Isso é dado como "líquido e certo" em Brasília, onde autoridades do governo avaliam ser praticamente impossível para a Petrobrás bancar, "em cash", os R$ 4,5 bilhões que ela deve pagar, no mínimo, ao Tesouro. Essa parcela refere-se a 30% do bônus total de R$ 15 bilhões.

O pagamento ocorre no momento de assinatura do contrato entre a União e o consórcio que vencer o leilão, previsto para o próximo dia 21.

Como a Petrobrás terá, por lei, pelo menos 30% em todos os consórcios, um pagamento de R$ 4,5 bilhões já está dado. O Estado apurou que as chances de a parcela da Petrobrás superar o patamar mínimo são grandes.

Uma fonte graduada afirmou que a companhia brasileira pode chegar a 40% do total, "o que seria ainda melhor, de uma perspectiva de negócio, mas também exigiria mais capital no pagamento do bônus".

As negociações entre a Petrobrás e as outras 10 companhias que vão participar do leilão estão a todo o vapor, e o governo acompanha de perto.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou na semana passada que participarão do leilão de Libra, que vai ocorrer no próximo dia 21, de dois a quatro consórcios.

Carrego. A negociação envolve o expediente chamado de "carrego", onde os chineses entram com uma parte da Petrobrás em dinheiro, e recebem, em troca, barris de petróleo produzidos pela empresa brasileira.

"Eles carregam a Petrobrás para o contrato, e ela devolve com o que sabe fazer melhor: produzir petróleo", explicou a fonte.

O governo não está preocupado com a amarração que está sendo construída nos bastidores em torno do leilão de Libra. De acordo com um articulador político do governo para o setor, as regras foram feitas com um conhecimento prévio sobre o possível desenrolar da situação.

"Foi um acordo comercial político", disse a fonte, que chamou a atenção para o fato de que os chineses estão interessados em constituir reservas de óleo, enquanto a Petrobrás ganhará com o desenvolvimento de tecnologia nova, além de deter parcela fundamental no consórcio que vencer o leilão.

Estatal. Além disso, o governo federal ainda não concluiu a criação da nova estatal, a Pré-Sal Petróleo S. A. (PPSA), que vai gerir os contratos de partilha da produção, além da comercialização do petróleo oriundo da camada do pré-sal no Campo de Libra.

A Pré-Sal Petróleo S. A. vai participar do comitê operacional da empresa, tendo voto e poder de veto, mesmo sem assumir nenhum risco de exploração e produção.

"O modelo de partilha brasileiro é complicado para a turma do mercado, então foi feito um jogo que os chineses compreendem e, por isso, eles vieram com tanta vontade", disse uma fonte do governo federal.

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