Petrobrás terá de mudar planos para cumprir prazos

Decisão da ANP vai obrigar estatal a realocar sondas de perfuração e buscar outras no mercado externo

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2009 | 00h00

A manutenção, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), dos prazos de exploração das áreas do pré-sal na Bacia de Santos vai exigir uma mudança nos planos da Petrobrás, afirmou ontem o gerente executivo da companhia para o pré-sal, José Formigli. Segundo ele, a companhia terá de realocar alguns de suas sondas de perfuração e buscar outras no mercado externo para conseguir avaliar todas as concessões antes do fim dos prazos, que vão até 2012."Se a ANP negar mesmo nosso pedido, vamos ter que buscar nova forma de gestão do portfólio para garantir a preservação dos interesses da companhia", disse Formigli, em entrevista concedida horas antes de a ANP homologar a decisão de manter os prazos atuais, em reunião na semana passada. O executivo, porém, disse que está confiante de que a companhia vai conseguir realizar o trabalho previsto dentro do prazo.A decisão da ANP refere-se aos blocos BM-S-8 (Bem-Te-Vi), BM-S-9 (Carioca e Guará), BM-S-10 (Parati), BM-S-11 (Tupi e Iara) e BM-S-21 (Caramba). Todos estão em fase de avaliação de descobertas, com prazos vencendo entre 2010, caso de Tupi, e 2012, casos de Guará e Bem-Te-Vi.Ao final dos períodos, a Petrobrás e seus sócios têm de comprovar a existência de reservas comerciais. Caso contrário, são obrigadas a devolver parte das áreas à União.Formigli reconheceu que os prazos são exíguos - a estatal queria mais quatro anos -, mas disse que já há um plano de ação para evitar o risco de devolução de áreas. "Já estamos sondando o mercado internacional atrás de equipamentos." A estratégia prevê ainda maior mobilização de sócios nas concessões, para buscar novas sondas ou realocar unidades que estão no exterior.A Petrobrás tem quatro sondas com capacidade para perfurar nas altas profundidades do pré-sal da Bacia de Santos - todos com lâmina d?água (distância entre a superfície e o fundo do mar) superior a 2 mil metros. Além disso, encomendou mais 12 unidades no mercado internacional. Formigli admitiu, porém, que a quantidade é insuficiente para chegar a 2012."Quando os prazos foram fixados, imaginava-se determinado nível de sucesso na região. Mas os trabalhos deram ótimos resultados, gerando demanda muito grande por poços", comentou o gerente da Petrobrás. A excelente taxa de sucesso, aliada à escassez de sondas, motivou o pedido de extensão de prazos. O contrato de concessão dos blocos da região prevê a devolução de 50% de cada área no terceiro ano de exploração e de 25% no sexto ano. Caso não haja descobertas, o restante é devolvido após oito anos. As concessões foram adquiridas entre 2000 e 2001 e a devolução dos primeiros 50% já foi feita. Como se comprometeu com investimentos para avaliar descobertas, a Petrobrás foi liberada da segunda devolução.TUPI Formigli informou que o teste de longa duração (TLD) no campo de Tupi, iniciado em 1º de maio, vem ocorrendo sem imprevistos, com a produção diária de 14 mil a 15 mil barris por dia. Segundo ele, a Petrobrás está aproveitando o teste para avaliar também um tipo de reservatório mais profundo do que o previsto inicialmente. "Aproveitamos o início do teste e a disponibilidade da sonda para testar o reservatório seguinte (chamado de rift)."

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