Nacho Doce/Reuters
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Petrobras diz que concluiu primeiro teste de produção de querosene de aviação

Os resultados foram considerados "promissores" pelos técnicos da empresa

Gabriel Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2022 | 16h41

RIO - A Petrobras informou nesta sexta-feira, 3, ter concluído com sucesso o primeiro teste de produção de querosene de aviação com conteúdo renovável do país. O teste aconteceu na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e os resultados foram considerados "promissores" pelos técnicos da empresa.

Por ter alto valor agregado e gerar menos emissões de gases do efeito estufa, o bioQAV é uma das principais apostas da companhia nos chamados combustíveis de última geração. Outro produto na mira do programa BioRefino da companhia é o diesel renovável. O BioRefino é uma das frentes de descarbonização prevista no plano estratégico da Petrobras para os anos entre 2022 e 2026.

O bioQAV é produzido por meio do processamento conjunto do querosene de origem fóssil e de óleo vegetal e deverá ser produzido em refinarias existentes, disse em nota a Petrobras. A produção nas refinarias existentes deve ocorrer até a empresa ter escala para uma unidade dedicada. A indicação foi dada pelo diretor de Refino e Gás Natural da Petrobras, Rodrigo Costa, em 20 de maio, durante painel em evento organizado pela Petrobras e o Banco do Brasil.

Na ocasião, Costa disse esperar que até 2027 a Petrobras tenha uma unidade dedicada de bioQAV para atender o mercado. Em pouco mais de quatro anos, ele disse que o combustível deve ser uma realidade em termos de eficiência e escala. A partir de 2027, também, o Brasil deverá utilizar o bioQAV obrigatoriamente, em linha com resolução da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).

Na nota de hoje, em comentário atribuído a Costa, a Petrobras informa que há testes de produção de bioQAV e diesel renovável nas refinarias do Paraná e planos de iniciar testes nas refinarias de Paulínia e de Cubatão. Os testes perfazem uma primeira fase do programa, que antecede os testes comerciais e, depois, o planejamento de unidades dedicadas para produção e comercialização em grande escala.

O diretor da Petrobras destaca que a empresa alocou para isso, no planejamento, US$ 600 milhões no horizonte de 5 anos. Esse montante será dedicado ao desenvolvimento e produção de novos combustíveis, sobretudo bioQAV, que integram o total de US$ 7,1 bilhões para investimentos no plano estratégico 2022-2026. Desses, US$ 6,1 bilhões, ou cerca de R$ 30 bilhões, se concentram em refino.

A Petrobras afirma que o BioQAV emite menos CO2 que o QAV mineral porque tem, na formulação, compostos gerados por hidrogenação de óleo vegetal - no caso, óleo de soja. Trata-se de uma reação química com adição de hidrogênio.

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