Petrobrás teve a maior perda em bolsa na AL

Empresa perdeu US$ 56 bilhões em valor de mercado, o pior resultado entre 751 companhias

Paula Pacheco, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

As dúvidas sobre a capitalização levaram a Petrobrás a registrar a maior perda entre todas as companhias negociadas em bolsas de valores na América Latina, segundo a empresa de dados financeiros Economatica.

Na análise de 751 empresas de capital aberto feita pela Economatica, o valor de mercado da Petrobrás caiu de US$ 199,3 bilhões para US$ 143,1 bilhões. É como se de 31 de dezembro de 2009 a 23 de agosto de 2010, período usado para a compilação, US$ 56,2 bilhões tivessem virado pó, o equivalente a uma queda de 28,2%.

Em porcentual, a maior perda de valor, segundo a Economatica, foi da Eletrobrás, com queda de 36,1% de valor de mercado. Das 20 empresas do ranking da consultoria, 16 são brasileiras. O País concentra um número maior de companhias com ações negociadas em bolsa, daí a maior representatividade.

A principal razão para a queda bilionária de valor de mercado da Petrobrás é a demora nas definições sobre a capitalização da empresa, conforme explica Osmar Camilo, analista do setor de energia da corretora Socopa. Mas os problemas da BP no Golfo do México, que durante meses lutou para acabar com um gigantesco vazamento de petróleo na região, também colaboraram, ainda que em menor proporção, com o péssimo resultado.

"O vazamento da BP levou a um aumento dos prêmios de seguro no setor petrolífero, do preço das plataformas e do custo de manutenção", explica Camilo.

Recuperação. Para Marco Saravalle, analista da Coinvalores, o preço das ações da Petrobrás só começará a se recuperar depois de a empresa anunciar como será o plano de capitalização. "Mas os detalhes do plano de capitalização vão servir para definir a velocidade com que o preço dos papéis vai se recuperar. Não vejo uma recuperação em 2010. Por isso, pode ser uma oportunidade para os investidores comprarem os ativos, que estão com um valor bem baixo", avalia.

Analista da Socopa, Oswaldo Telles explica que faz pelo menos um ano e meio que a cotação das ações da Petrobrás começaram a sofrer com os primeiros rumores sobre o modelo de capitalização. "A falta de definição é sempre pior que a definição, seja ela qual for. Na incerteza, a ação sofre muito", comenta.

Na avaliação de Telles, a cotação das ações não deve continuar a cair na mesma velocidade, mesmo que haja ainda alguma indefinição da Petrobrás quanto ao desenho final da capitalização. Segundo o analista, se o cronograma original for cumprido, até setembro o modelo deve ser apresentado.

"No fundo é difícil justificar o motivo de uma queda tão grande, porque é uma empresa diferente, que tem uma perspectiva para o futuro de muito crescimento", explica.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.