Petrobrás vai adiar operação de plataforma

Empresa nega, porém, ter lançado a P-62 antes de estar pronta por pressão política

SABRINA VALLE / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 02h06

A Petrobrás decidiu atrasar o início da produção da P-62, no campo de Roncador. Reportagem do 'Broadcast', serviço de notícias em tempo real da 'Agência Estado', nesta semana, mostrou que a plataforma foi inaugurada em dezembro sem sistemas de ancoragem, de navegação e elétrico prontos, que agora são feitos em alto-mar com maiores custos e lentidão para a empresa.

Em nota, a companhia informou ontem que a unidade iniciou a operação em segurança e com todas as autorizações e licenças necessárias das autoridades competentes, antes da saída da P-62 do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco. Também reforçou que a produção será feita dentro de padrões rigorosos de segurança e saúde.

Na nota, a estatal confirmou que a plataforma chegou ao campo de Roncador em 20 de janeiro, com duas semanas de atraso, como antecipou a reportagem. O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) atribui a demora da instalação aos reparos não programados que precisaram ser feitos em mar.

Um deles foi a falta de uma amarra de ancoragem de bombordo (lado esquerdo), que não foi posta em terra pois a empresa perderia horas numa manobra da unidade. A P-62 foi inaugurada em solenidade em 17 de dezembro com a presença da presidente Dilma Rousseff.

A saída do estaleiro em 30 de dezembro fez cumprir a promessa da companhia de botar na água nove plataformas em 2013, uma forma de dar satisfação ao mercado sobre o compromisso de aumentar a produção de petróleo, estagnada há quatro anos. A P-61 foi ao mar no dia seguinte, em 31 de dezembro.

Depois de concluídas, as plataformas se enquadram num regime de impostos conhecido como Repetro. No Repetro, as plataformas são exportadas mesmo sem sair do País, para obter benefícios tributários. Só no quarto trimestre do ano passado, quatro plataformas tiveram impacto de US$ 5,3 bilhões nas exportações, o que impediu a balança de fechar 2013 com déficit.

Serviços em mar. O diretor do Sindipetro-NF Norton Almeida estimou que serviços em mar podem ser mais de dez vezes mais lentos e caros do que em terra. A Petrobrás informou ontem que conseguiu autorização para aumentar de 160 para 200 o número de homens trabalhando na plataforma.

No estaleiro, as obras chegaram a ter 5 mil trabalhadores. O sindicato diz que o efetivo concluiria os trabalhos muito mais rapidamente do que em mar, onde há restrições de número de embarcados. Segundo Almeida, qualquer parafuso precisa viajar 125 quilômetros mar adentro, dentro de padrões mais rigorosos de segurança, o que poderia ser dispensado em terra. "A Petrobrás esclarece que durante a viagem é normal que o FPSO (navio que produz, armazena e transfere petróleo) sofra esforços estruturais, demandando serviços para ajustes finais."

O Sindipetro-NF prepara um dossiê-denúncia ao Ministério do Trabalho e à Marinha sobre riscos sofridos por trabalhadores em unidades da Petrobrás na Bacia de Campos. Exemplo disso foi o incêndio na P-62 neste ano, provocado por um gerador de energia instalado para remediar a falta de cabeamento elétrico, não feito em terra.

O dossiê também inclui denúncias sobre plataformas degradadas, como a P-20, já interditada no início do mês pelo Ministério do Trabalho, também após um incêndio. "Por pouco não explodiu um tanque de álcool e houve uma tragédia com dezenas de mortes", disse Almeida.

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