Vanderlei Almeida/AFP
Vanderlei Almeida/AFP

Petrobrás vai adiar projeto de refino

Plano estratégico da estatal prevê também vender blocos em áreas exploratórias e participação em empresas, e melhorar a gestão de capital de giro

Sergio Torres e Kelly Lima / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2011 | 00h00

Para cumprir a estratégia de desinvestimento anunciada no novo plano de negócios (2011-2015), a Petrobrás venderá blocos em áreas exploratórias de petróleo e participações em empresas que controla. Vai adiar um projeto de refino e providenciará também a melhoria na gestão do capital de giro, para ampliar o retorno de seus ativos financeiros.

As medidas do projeto de desinvestimento - inédito no plano estratégico e orçado em US$ 13,6 bilhões - foram anunciadas ontem, sem muitos detalhes, pelo presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli. "Não vou dizer quais serão os ativos", respondeu, quando questionado sobre o que será vendido.

Os planejamentos de exploração e produção no pré-sal não serão afetados, disse o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, que, com os demais diretores e presidentes das subsidiárias, acompanhou a explanação e a entrevista de Gabrielli.

Divulgado na noite de sexta-feira, o plano havia sido vetado em duas apresentações anteriores pelo conselho de administração, presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. O plano está orçado em US$ 224,7 bilhões, ante US$ 224 bilhões do anterior (2010-2014). Gabrielli revelou ainda que a Petrobrás decidiu adiar a entrada em operação da refinaria Premium 1, no Maranhão. A inauguração da primeira fase, prevista inicialmente para 2014, foi transferida para 2016. A segunda etapa, que começaria em 2017, passou para 2019.

Barbassa definiu como "estratégia inédita" da companhia a inclusão dos desinvestimentos no plano de negócios. Ele disse que o projeto passa, principalmente, pela venda parcial de ativos em áreas exploratórias dentro e fora do País. "Como a área de exploração e produção é a que concentra a maior parte do investimento, é natural que ela participe também com um volume grande na venda. Não faria sentido tentar atingir os US$ 13 bilhões que se pretende em desinvestimentos em áreas que sequer possuem este volume em ativos", comentou ele, acrescentando que o "grosso" dos desinvestimentos ocorrerá nos próximos dois anos.

Os farm-outs (venda parcial ou total dos direitos de concessão de petrolífera) deverão concentrar o maior volume a ser desinvestido, disse o diretor financeiro, embora haja por parte da empresa uma "busca incessante" por alternativas "inteligentes" que contribuam para reduzir custos administrativos.

Barbassa citou a criação da empresa Sete Brasil, para contratar e administrar sondas de perfuração, como uma das alternativas de redução de custos. "Com isso, a Petrobrás não precisa investir em sondas."

"O plano e sólido, financiável e não compromete a saúde financeira da companhia", disse Gabrielli. Segundo ele, a geração de caixa prevista no plano caiu em relação ao anterior por três motivos: o câmbio, com a valorização do real em relação ao dólar; o aumento de custos em toda a cadeia de petróleo; e a curva de produção mais apertada.

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