Petrobrás vai reavaliar projetos de refinarias

A Petrobrás vai reavaliar os projetos de suas refinarias, afirmou ontem o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli. Maior prioridade para o mercado interno, padronização das unidades e flexibilização do uso do tipo de petróleo e dos combustíveis produzidos serão as três frentes adotadas para essa reavaliação.

Kelly Lima, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2011 | 00h00

A decisão, segundo ele, foi tomada principalmente pelo crescimento acima do esperado no mercado interno. A melhora na renda per capita, destacou Gabrielli, puxou para cima o consumo de combustíveis no País, especialmente de gasolina e de querosene de aviação, fazendo com que o parque de refino atingisse sua capacidade máxima. "O aumento da renda já provocou um aumento da elasticidade entre o PIB e o consumo, que cresciam basicamente na mesma proporção", avaliou, lembrando que o consumo de combustíveis em geral cresceu 10% em 2010 sobre o ano anterior, enquanto o PIB cresceu 7%.

Especificamente no caso da gasolina, que cresceu 19% no mesmo período, Gabrielli lembrou a influência direta do aumento do preço do álcool.

"Temos um mercado único entre outras petroleiras que é depender do mercado internacional de açúcar para saber a demanda deste combustível", disse o executivo, que acredita que esta situação de baixa competitividade do álcool deverá perdurar até o fim de 2012.

Gabrielli voltou a enumerar razões para defender a construção das quatro refinarias, que custarão US$ 50 bilhões e serão inauguradas entre 2013 e 2017. Rebatendo as constantes críticas feitas por analistas financeiros desde que as unidades foram anunciadas, ele lembrou que em 2020 serão processados o parque de refino nacional terá capacidade de 3,2 milhões de barris por dia em seu parque de refino, ante uma produção de 3,9 milhões de barris por dia.

Ele descartou que a localização das refinarias já programadas seja revista. "A localização das unidades no Nordeste - Abreu e Lima (PE), Premium I (MA) e II (CE) - é extremamente estratégica, porque hoje 19% do mercado está no Nordeste", afirmou o presidente da estatal.

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