Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Petrobrás vai transferir construção da P-71 para estaleiro chinês

Plataforma consumiu US$ 150 milhões; se fosse vendida como sucata, renderia R$ 12 milhões

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

09 Março 2018 | 05h00

RIO - A Petrobrás decidiu abandonar de vez a plataforma P-71, que estava sendo construída no estaleiro Rio Grande (RS), e iniciar o projeto do zero na China. A licitação foi concluída na semana passada e a obra transferida para o estaleiro chinês CIMC Raffles. A decisão da estatal de exportar o projeto preocupa sindicatos e a prefeitura da cidade, que estão em Brasília para sensibilizar o Congresso e o Tribunal de Contas da União (TCU).

O Estado apurou que a plataforma já consumiu US$ 150 milhões e precisaria de mais US$ 200 milhões para ser concluída. Se as 38 mil toneladas de blocos forem vendidas como sucatas, a Petrobrás receberia apenas algo em torno de R$ 12 milhões e a Ecovix, dona do estaleiro Rio Grande, R$ 3,2 milhões. Questionada, a estatal não informou quanto gastou na P-71.

A conclusão da concorrência para construir o casco da plataforma foi mais um capítulo de uma longa batalha entre a Ecovix, sindicalistas, políticos e a Petrobrás. O prefeito de Rio Grande, Alexandre Lindenmeyer (PT), disse que apelou à direção da estatal diversas vezes e que, em todas, recebeu a resposta de que “conteúdo local não é uma política da empresa e que é mais barato construir plataforma na China do que no Brasil”. Procurada, a Petrobrás apenas confirmou a contratação da CIMC Raffles.

Rio Grande entrou no mapa da indústria naval após a descoberta do pré-sal, em 2006, quando o governo federal, na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, identificou a vocação de algumas regiões do País e incentivou a instalação de estaleiros para atender à crescente demanda da Petrobrás.

Crise. No auge, a indústria naval da região chegou a empregar 24 mil trabalhadores. Mas o plano de desenvolvimento local começou a ruir ainda na administração petista da Petrobrás, que demonstrou insatisfação com a qualidade da obra e prazos de entrega. Posteriormente, a Engevix foi citada na Operação Lava Jato. O grupo entrou em crise financeira e a Ecovix, em recuperação judicial.

Procurada, a empresa disse que lamenta a decisão da Petrobrás de, “sem explicação razoável, cancelar unilateralmente a construção da P-71 no estaleiro Rio Grande” quando a embarcação já tinha todos os blocos do casco concluídos. “É ainda mais estranho que a Petrobrás prefira comprar plataformas chinesas, acabando com os empregos no polo de Rio Grande e no estaleiro que criou.”

Segundo fontes, apesar de a licitação com os chineses ter sido concluída, a Ecovix ainda tenta mais uma saída para salvar a estrutura já construída. Uma proposta em estudo seria a empresa se unir a outro estaleiro para concluir o projeto e vender para afretadores do pré-sal. / COLABOROU RENÉE PEREIRA

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