Petrobrás vem ampliando seus empréstimos desde 2007

O grupo Petrobrás vem ampliando significativamente a captação de empréstimos desde o início do ano passado, antes da crise de liquidez no mercado internacional. No final do último mês de agosto, segundo os demonstrativos de fluxo de caixa da estatal, os empréstimos tomados no ano já somavam quase R$ 32 bilhões, ante R$ 15 bilhões em 2007 e R$ 5,6 bilhões em 2006. Apesar de coincidir com o início do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o perfil dos empréstimos não está casado exatamente com os investimentos da empresa, financiados com recursos próprios e operações de longo prazo. Dos R$ 31,8 bilhões tomados emprestados, R$ 26,2 bilhões chegaram as cofres da estatal por meio de operações de curto prazo - apenas R$ 5,6 bilhões foram captados para serem pagos no longo prazo.Nessa conta, ainda não estavam computados os R$ 2 bilhões que a Petrobrás obteve em outubro da Caixa e que a empresa atribuiu "às condições do mercado financeiro internacional". Segundo dados ainda não publicados pela empresa, os empréstimos totais contraídos em 2008 já estão próximos de R$ 37 bilhões, o que se explicaria pela necessidade de maior capital de giro e pelo maior volume de despesas (não só investimentos) da empresa. Entre 2002 e 2007, por exemplo, as despesas de pessoal da Petrobrás cresceram 145%, e a compra de materiais e produtos utilizados na produção, outros 80%. No mesmo período, os investimentos (incluindo aqueles realizados no exterior) cresceram 149%. Ou seja, a empresa está se expandindo e precisando de mais capital. O volume de recursos disponíveis no caixa da empresa caiu de R$ 23,5 bilhões no final de 2006 para R$ 10,3 bilhões no final de 2007. Essa queda é uma das explicações que os técnicos viram para a empresa decidir ampliar seus empréstimos de curto prazo.

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