Petrobrás vence tabu e vende área do pré-sal

Governo federal pretende também reforçar seu caixa, com o recebimento de bônus pelas concessões

O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2016 | 03h00

A venda da participação de 66% na área de Carcará para a norueguesa Statoil – o primeiro ativo no pré-sal transferido pela estatal brasileira para outra petroleira – comprova que a atual direção da Petrobrás está determinada a buscar o equilíbrio financeiro da empresa, para isso agindo com pragmatismo e com visão realista do futuro. Decisões de natureza empresarial não estão mais sujeitas a viés ideológico, como ocorria sob a administração petista. A operação, concretizada na semana passada pelo valor de US$ 2,5 bilhões, surpreendeu o mercado, que via com ceticismo a meta da Petrobrás de vender ativos no valor de US$ 14 bilhões até o fim deste ano.

“Vamos trabalhar incansavelmente para atingir a meta”, disse o diretor financeiro da estatal, Ivan Monteiro, que classificou o negócio como o maior do setor já realizado no País. Antes dessa transação, a Petrobrás obteve receita de US$ 4,8 bilhões desde 2014, proveniente de privatizações em setores secundários da companhia, destacando-se a venda de 23% da Gaspetro e de operações na Argentina e no Chile.

Apesar das resistências corporativas, o programa de desinvestimento da Petrobrás se tornou absolutamente necessário para a reestruturação de suas finanças, de modo a permitir-lhe fazer face à sua elevadíssima dívida, de cerca de US$ 125 bilhões, e continuar investindo.

Como uma parte do Campo Carcará, na Bacia de Santos, está em área da União, a Statoil somente pagará de imediato o valor de US$ 1,25 bilhão. O restante será saldado quando o governo concluir os termos do processo de “unitização”, ou seja, um acordo para delimitação de áreas de exploração interligadas.

A venda se deu numa área em regime de concessão, uma vez que o Campo de Carcará pertence a um bloco adquirido pela Petrobrás em 2000, antes, portanto, da aprovação da lei de 2010 que instituiu o regime de partilha para o pré-sal.

Além de elevar os investimentos no País da Statoil, que já opera em outros blocos exploratórios na costa brasileira, a venda pode atrair mais investimentos internacionais. O Ministério de Minas e Energia já anunciou que pretende realizar, em meados de 2017, leilões de outra área de Carcará, contígua à que foi vendida à Statoil, bem como das áreas de Gato do Mato, Tartaruga, Mestiça e Sapinhoá, todas na Bacia de Santos.

Com isso, o governo federal pretende também reforçar seu caixa, com o recebimento de bônus pelas concessões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.