Petrobrás vende 40% de bloco de Santos à OGX

Venda do bloco BS-4, que contém dois campos do pós-sal, faz parte do plano de desinvestimento da estatal; petroleira de Eike pagou US$ 270 milhões

SERGIO TORRES / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 02h06

A Petrobrás anunciou ontem à noite a venda à petroleira nacional OGX Petróleo e Gás de sua participação de 40% no bloco BS-4, na Bacia de Santos (litoral norte de São Paulo). Para comprar o bloco, a companhia informou ter investido US$ 270 milhões.

Pertencente ao grupo empresarial controlado pelo megaempresário Eike Batista, a OGX informou, em nota, que a aquisição do bloco mostra que a empresa "está atenta às oportunidades de negócio, no Brasil, que possam contribuir para o crescimento do seu portfólio", em declaração creditada ao diretor-presidente da OGX, Luiz Carneiro.

"Estamos muito satisfeitos com essa aquisição", acrescentou o executivo.

O bloco BS-4 contém dois campos de petróleo da camada pós-sal: Atlanta e Oliva. Os campos ficam a 185 km da costa, em lâmina d'água de cerca de 1.500 metros de profundidade.

Os planos de desenvolvimento dos campos, revisados neste segundo semestre, estão em fase de análise pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a quem caberá aprovar ou vetar a compra e a venda do bloco.

A companhia petrolífera brasileira Queiroz Galvão Exploração e Produção é a operadora do bloco, com 30% de participação. A também nacional Barra Energia do Brasil Petróleo e Gás, com mais 30% dos direitos de concessão do BS-4, permanece no consórcio.

A venda de sua participação no bloco do pós-sal de Santos faz parte do programa de desinvestimentos previstos pelo Plano de Negócios da Petrobrás para o período 2012-2016. O objetivo da petroleira é se desfazer de ativos orçados em US$ 14,8 bilhões nos próximos quatro anos.

"Essa é a primeira alienação de um ativo da companhia no âmbito do programa de desinvestimento da Petrobrás, previsto no Plano de Negócios e Gestão 2012-2016", divulgou a companhia em comunicado oficial.

Petroleira nacional que passa por uma fase de crise, a HRT Participações em Petróleo também anunciou ontem ter firmado contrato de venda de ativo para a empresa Galp Energia.

Pelo contrato, a HRT vendeu 14% da participação sobre os direitos em três licenças para a exploração de petróleo em blocos marítimos da Namíbia, na costa oeste da África. O valor do negócio não foi revelado. Segundo a HRT, as licenças ficam nas bacias de Walvis e do Orange.

Apesar de se desfazer de parte da concessão, a HRT informou que continuará como operadora das licenças e iniciará a campanha de perfuração no primeiro trimestre de 2013.

Está previsto no programa de exploração da HRT a perfuração de três poços exploratórios, em prospectos já identificados e definidos. Os prospectos apresentam potencial de volumes relevantes para óleo e para gás, informou a petroleira. A tendência preponderante é óleo, acrescentou o comunicado.

Segundo a empresa, os recursos recuperáveis brutos dos prospectos são estimados em cerca de 8 bilhões de barris, "com probabilidade de sucesso na faixa de 20% a 30%".

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