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Petrobrás vende concessões no Golfo do México

Empresa venderá áreas em águas rasas para concentrar investimento na exploração de áreas em águas profundas

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

Uma das companhias mais ativas em leilões de áreas petrolíferas nos Estados Unidos, a Petrobrás prepara agora a venda de operações na porção americana do Golfo do México. A ideia é se desfazer das concessões em águas rasas, para concentrar esforços e capital em águas profundas e ultraprofundas. Além da crise financeira, a mudança é motivada pela avaliação da direção da companhia de que a expansão dos negócios americanos foi superdimensionada.A decisão de venda foi tomada durante os debates do planejamento estratégico da companhia, no ano passado. A necessidade de desenvolver o pré-sal num momento de petróleo barato no mercado internacional e de escassez de recursos levou a empresa a optar por um foco mais fechado nos negócios brasileiros. "A estratégia da companhia vem mudando nesses últimos anos", disse o presidente da Petrobrás América, Orlando Azevedo. A Petrobrás tem hoje 250 concessões exploratórias no Golfo do México, das quais quase 200 em águas profundas, sua principal especialidade. "Se tenho de gastar dinheiro para perfurar um poço, prefiro gastar onde tenho expertise", disse Azevedo. Segundo ele, ainda não há definição sobre quantos blocos serão vendidos nem qual o prazo para o fim do processo. As negociações vão acompanhar o interesse do mercado.A legislação americana permite que o concessionário fique até dez anos com um bloco, mesmo que não invista na área. No Brasil, ao contrário, o investimento em exploração é definido nas ofertas das empresas nos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Segundo o presidente da Petrobrás Américas, a empresa planeja manter em carteira blocos em águas rasas onde já houve descoberta.As águas rasas do Golfo do México garantem hoje à estatal brasileira 5,3 mil barris de petróleo por dia, volume equivalente a apenas 30% do extraído pelo poço pioneiro do pré-sal, no campo de Jubarte, no litoral do Espírito Santo, por exemplo. Nos Estados Unidos, o primeiro projeto de produção em águas profundas da estatal, Cascade-Chinook, terá capacidade inicial de 80 mil barris por dia, podendo ganhar outra plataforma de 150 mil barris por dia na fase final de desenvolvimento.O projeto, com reservas até agora identificadas de 300 milhões de barris de petróleo, é uma parceria com a americana Devon e a francesa Total e inicia as operações no segundo semestre. A primeira plataforma, de 80 mil barris por dia, está sendo construída em Cingapura.Quando for instalada, baterá o recorde mundial de profundidade para um navio-plataforma, com 2,5 mil metros. É a primeira unidade desse tipo (conhecida no mercado como FPSO, sigla em inglês para unidade flutuante de produção, estocagem e bombeio de petróleo) a ser instalada nos Estados Unidos.A tecnologia é muito usada pela estatal no Brasil, pois reduz a necessidade de investimentos em oleodutos, já que o navio-plataforma está apto a estocar petróleo até a chegada de navios aliviadores.

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