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Petrobrás volta a atrair fundos americanos

No 3º trimestre, 10 dos 20 fundos que mais tinham ações da petrolífera brasileira em carteira aumentaram as apostas em papéis da companhia

Altamiro Silva Junior, O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2015 | 04h00

O megainvestidor George Soros continua fora de apostas em papéis da Petrobrás, mas alguns fundos de Wall Street resolveram aumentar as compras de ações da companhia nos últimos meses. Outras gestoras resolveram adicionar títulos da empresa em suas carteiras, mas de forma cautelosa, mostram os dados mais recentes enviados pelas gestoras à Securities and Exchange Commission (SEC), que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos.

Dos 20 fundos nos EUA que mais tinham ações da Petrobrás no fim do terceiro trimestre, 10 aumentaram o volume de compras em relação ao segundo trimestre, 8 não tinham ações no período anterior e adicionaram os papéis, 1 manteve o número de ações e apenas 1 carteira reduziu, considerando os American Depositary Receipts (ADRs), que são recibos listados na Bolsa de Valores de Nova York e representam ações da Petrobrás. Apesar de comprarem mais Petrobrás, os fundos dos EUA têm feito este movimento com cautela. A participação da estatal em várias carteiras está abaixo de 0,5% do patrimônio.

Um dos fundos Oaktree Capital Management, que administra US$ 100 bilhões, aumentou em 2.801% o número de ADRs da Petrobrás em sua carteira em relação ao segundo trimestre. Mesmo assim, a petroleira responde por apenas 0,4% do patrimônio do fundo. A gestora Arrowstree Capital elevou a fatia de Petrobrás em 1.239%. Mas o ADR da Petrobrás representa 0,03% da carteira.

Entre os fundos que não tinham ações no período anterior, uma carteira da gestora D.E. Shaw, que tem patrimônio de US$ 37 bilhões, comprou 3,7 milhões de papéis da brasileira, o equivalente a 0,02% da carteira. A Renaissance Technologies, criada por Jim Simons, comprou 4,7 milhões de ações, ou 0,04% da carteira de um de seus fundos. Simons administra US$ 65 bilhões e ficou famoso por conseguir retornos acima de alguns concorrentes.

Crítico. Um dos fundos que mais aposta em Petrobrás é o NWI Management, do gestor Hari Hariharan, que administra mais de US$ 2 bilhões em papéis de emergentes. A carteira tem 4,5 milhões de ADRs, ou 4,05% do patrimônio. O gestor, crítico do governo Dilma Rousseff, disse na semana passada que segue apostando na petroleira, que procura se reestruturar após o escândalo de corrupção investigado pela Lava Jato. As denúncias de corrupção e a falta de um balanço auditado levaram muitas carteiras a zerarem posições em Petrobrás e algumas delas voltam a comprar.

Para o gestor da Loomis Sayles, que administra US$ 200 bilhões, David Rolley, o avanço no combate à corrupção sinaliza que as coisas podem melhorar no País no longo prazo. “O Brasil continua a trazer estes casos de corrupção para a Justiça e a entrar com novos processos”, disse, destacando que isso pode provocar uma limpeza no País que contribui para gerar algum otimismo, mas com melhora prevista mais à frente.

Já Soros, que chegou a ter grandes posições em Petrobrás, se desfez em julho dos papéis e segue fora de aplicações. O megainvestidor, muitas vezes referencial para vários aplicadores em Wall Street, também prefere não apostar diretamente em Brasil, de acordo com a composição da carteira da gestora Soros Asset Management. Ele só está exposto ao País de forma indireta, por meio de ações de multinacionais, como General Motors e cervejaria AB InBev.

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