Petrobrás volta a pedir à Caixa empréstimo de R$ 2 bi

Quase dois anos depois de buscar recursos para pagar impostos, estatal solicita financiamento de banco para investir

Kelly Lima, Nicola Pamplona/RIO, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

Quase dois anos após recorrer à Caixa Econômica Federal para conseguir dinheiro para pagar impostos em meio à crise financeira, a Petrobrás voltou ao banco estatal em busca de recursos para investir. Em nota divulgada ontem, a companhia confirmou que contratou uma operação de Notas de Crédito à Exportação (NCE), no montante de R$ 2 bilhões, à Caixa. No texto, a empresa diz que a operação se enquadra com suas atividades.

A primeira captação da Petrobrás à Caixa, em outubro de 2008 e também de R$ 2 bilhões, recebeu muitas criticas da oposição, que via no recurso ao banco estatal um sinal de problemas de caixa da companhia. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na época que a situação não era ideal, uma vez que a Petrobrás estaria enxugando recursos que poderiam ser destinados a empresas de menor porte.

No comunicado de ontem, a Petrobrás repetiu argumento usado à época, alegando que busca sempre melhores oportunidades de financiamento para bancar seus projetos de investimento. Sem dar detalhes, a empresa diz que a operação com a Caixa é de "longo prazo, com taxas e condições atraentes, compatíveis com o mercado". A companhia evitou mais comentários, uma vez que se encontra em período de silêncio por causa do processo de capitalização.

"Com o crescimento da companhia e a expansão de seus negócios, a Petrobrás tem se empenhado em explorar todas as oportunidades de financiamento oferecidas pelo mercado financeiro", limitou-se a dizer.

O texto, porém, reitera que o caixa está em "situação confortável". Os números relativos às suas finanças, porém, só serão conhecidos na divulgação do balanço do segundo trimestre, que deve ocorrer no próximo dia 13.

Ao fim do primeiro trimestre, a Petrobrás tinha em caixa R$ 27 bilhões e um nível de endividamento de 32%, bem próximo ao limite estipulado para a manutenção de sua condição de investment grade entre as agências de classificação de risco. A situação só será revertida com a conclusão do processo de capitalização, que deve ocorrer no fim de setembro.

Capitalização. A empresa anunciou ontem a convocação de nova assembleia de acionistas para discutir o processo de capitalização, que será realizada no próximo dia 12.

A pauta prevê a aprovação da contratação da consultoria Pricewaterhouse Coopers (PwC) para avaliar títulos do Tesouro Nacional que serão usados para a compra de novas ações pela União.

Dificuldade

R$ 27 bilhões era o caixa da Petrobrás no fim do primeiro trimestre

32% era o nível de endividamento

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