Petroleiros anunciam greve em todo o País

Indicativo foi aprovado na sexta, mas sindicalistas dizem que estatal estaria planejando alojar trabalhadores em refinarias para 'furar' a mobilização

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2015 | 02h03

RIO - A Federação Única dos Petroleiros (FUP) anunciou que a categoria fará greve em todas as unidades do País. A mobilização, segundo o sindicato, começaria às 0h de hoje. Antecipando-se, a Petrobrás distribuiu ontem colchões em suas refinarias para manter os funcionários dentro das unidades até que a greve termine, afirma o coordenador da FUP, José Maria Rangel.

A distribuição dos colchões é indicativo de que a estatal está se preparando para alojar por tempo indeterminado os empregados que estiverem trabalhando no momento em que a greve for deflagrada. É uma forma de manter a produção de combustíveis.

Em sua página no Facebook, a FUP divulgou foto com a imagem de dezenas de colchões sendo descarregados de um caminhão. De acordo com a federação, a imagem é da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Procurada, a estatal não comentou a informação.

"As plataformas de petróleo são preparadas para que os empregados permaneçam embarcados por um longo período. Mas, nas refinarias, não há essa infraestrutura de alojamento. A Petrobrás está forçando a barra para que a produção não seja abalada. Isso é ilegal. Vamos denunciar ao Ministério Público", afirmou o sindicalista.

O indicativo de greve foi protocolado pela FUP na Petrobrás na última sexta-feira. No documento, a informação é de que a paralisação ocorrerá a partir do primeiro minuto desta segunda-feira. Mas, ao Estado, Rangel disse que sindicatos de petroleiros de todo o País avaliam o melhor momento para iniciar a paralisação, que poderá acontecer antes ou mesmo depois da data prevista.

Relação. O clima entre a direção da Petrobrás e os sindicalistas esquentou nas últimas semanas, após a empresa anunciar o plano de cortar despesas, que podem somar US$ 12 bilhões até 2019 - com cursos de qualificação e com transportes, por exemplo. Piorou ainda mais depois da reunião em que executivos da área de recursos humanos informaram que as negociações salariais a partir de agora serão fragmentadas por subsidiária, e não ocorrerão mais para todo o grupo Petrobrás.

O objetivo da greve é o cumprimento da lista de reivindicações batizada de Pauta Brasil. A principal reivindicação é a suspensão do plano de venda de ativos da empresa promovido pela equipe do presidente Aldemir Bendine, que substituiu Graça Foster com a missão de reestruturar a companhia. O plano de negócios da Petrobrás para o período de 2015 a 2019 prevê o encolhimento da estatal em US$ 57,7 bilhões.

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