Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Petroleiros criticam plano de privatização da Petrobras e prometem reação

Caso governo envie projeto de lei para a privatização da Petrobras, petroleiros prometem deflagrar a maior paralisação da história da categoria

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2022 | 17h40

RIO - Se o governo Bolsonaro enviar um projeto de lei para a privatização da Petrobras, como vem sendo especulado em Brasília, os petroleiros prometem deflagrar a maior paralisação da história da categoria, com apoio dos caminhoneiros, motoristas de aplicativos e de grande parte da sociedade brasileira, disse nesta quarta-feira, 1º, na Câmara dos Deputados, o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros, Deyvid Bacelar.

"Repudiamos toda e qualquer ação que venha para o Congresso brasileiro que queira privatizar a Petrobras. Se vier qualquer projeto de lei, o governo federal vai ver a maior paralisação da história da categoria. Vamos ver se o governo vai ter essa ousadia de privatizar a maior empresa pública do Estado brasileiro", afirmou Bacelar, dias depois do presidente da Câmara, Arthur Lira, propor que a União venda suas ações da estatal, a exemplo do que está fazendo com a BR Distribuidora.

Bacelar lembrou que desde o final do ano passado, os petroleiros aprovaram em assembleias um estado permanente de greve.

Na quinta, 2, a categoria fará mobilizações pelo País para marcar o início das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), em conjunto com a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), e protestar contra a privatização da Petrobras.

Por áudio, o secretário-geral da FNP, Adaedson Costa, informou que realizou nesta quarta-feira uma reunião com parlamentares do Psol, que afirmaram estar havendo uma articulação do presidente da Câmara para que a privatização da Petrobras saia antes das eleições.

"Ele (Lira) está articulando para que seja de maioria simples, ou seja, não tenha os dois terços que é exigido pela Constituição, porque com isso tem mais facilidade de aprovar", disse Costa após a reunião."Está tendo uma movimentação gigantesca no Congresso para a privatização da Petrobras acelerada, da mesma forma que fez da BR Distribuidora, pegar as ações do BNDES e vender", complementou.

O sindicalista afirmou que é preciso que todos petroleiros e outras categorias se unam para evitar a venda da companhia.

A representante dos empregados no Conselho de Administração da Petrobras, Rosângela Buzanelli, ressaltou em seu blog que apesar do empenho de Lira, a privatização da empresa não é tão simples como quer o deputado, mas que é preciso se mobilizar.

"A questão da privatização da Petrobras passa, necessariamente, pela aprovação do Congresso Nacional, de lei que afaste o interesse público que justificou sua criação e manutenção na administração pública indireta até os dias de hoje", disse Buzanelli. "É essencial também a apreciação de estudos e documentos da negociação pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e, então, a venda propriamente dita. Sem contar que a venda de ações e perda do controle são processos que levam tempo", afirmou.

A conselheira disse ainda, que não se trata apenas de vender as ações da União que cederiam o controle da estatal, revogando os artigos 61 e 62 da Lei 9478, mas de afastar o interesse público na manutenção, pela União, do controle sobre a produção, refino, distribuição de combustíveis em território nacional e que autorize a perda do controle acionário.

"Mas como no atual Congresso, dominado pelo Centrão, tudo é possível, inclusive a autorização para privatizar, temos que reagir e combater mais esse ataque à Petrobras e ao Brasil", afirmou, referindo-se ao grupo que apoia o presidente Jair Bolsonaro no Congresso.

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