Petroleiros declaram greve contra leilão

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) reuniu ontem 300 pessoas no centro do Rio de Janeiro para protestar contra a 6.ª Rodada de Licitações de Áreas para a Exploração de Petróleo e Gás da Agência Nacional do Petróleo (ANP), prevista para terça-feira. A manifestação contou com apoio de políticos, dirigentes sindicais e até do líder dos sem-terra, João Pedro Stédile. O presidente da FUP, Antonio Carrara, anunciou que na próxima semana haverá uma greve de petroleiros contra o leilão. O argumento dos manifestantes é de que o leilão vai pôr à disposição de empresas estrangeiras áreas já pesquisadas pela Petrobrás e que são vizinhas às recentes descobertas da estatal. É o primeiro leilão da ANP que disponibiliza áreas já licitadas em rodadas anteriores e que foram devolvidas após o prazo para análise da comercialidade de suas reservas. "A Petrobrás se quiser ter estas áreas de volta terá de pagar por elas, desembolsando um dinheiro que poderia estar sendo aplicado em novas pesquisas", afirmou Carrara. Stédile disse que o governo não precisaria restituir o monopólio de exploração para atender às reivindicações. "O governo só precisa estabelecer políticas que garantam a preservação do patrimônio do País. O governo Lula foi eleito com este compromisso." A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, garantiu que a rodada será realizada. Segundo ela, a iniciativa do governador do Paraná, Roberto Requião, de pedir ao Supremo Tribunal Federal a suspensão do leilão afeta a Petrobrás, a quem o governador pretendia beneficiar. "Se a lei é inconstitucional para a empresa privada, também é para a Petrobrás" Segundo a ministra, o leilão é a única maneira de permitir que as empresas procurem petróleo no País e garantam as condições de sustentação das crescimento da economia do País. "Se parar o leilão, nem a Petrobrás tem acesso nem ninguém tem acesso." Pare ela, isso traria um custo muito alto para o País, já que esse petróleo deverá ajudar a suprir o mercado a partir de 2011.

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