Sergio Moraes/Reuters - 4/2/2020
Sergio Moraes/Reuters - 4/2/2020

Petroleiros dizem que vão recorrer de decisão do TST e que greve continua

Ministro considerou paralisação, iniciada no dia 1º de fevereiro, "ilegal e abusiva"; segundo sindicato, movimento tem adesão de mais de 60% dos funcionários da área operacional da Petrobrás

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2020 | 09h15
Atualizado 18 de fevereiro de 2020 | 14h04

RIO - Em greve desde o dia primeiro deste mês, os petroleiros vão recorrer à Justiça contra a decisão monocrática do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Ives Gandra,  da segunda-feira, 17, que considerou a paralisação abusiva e ilegal.

A orientação da Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que vai deliberar coletivamente em assembleias com os sindicatos filiados os rumos do movimento.

Enquanto isso, a indicação é de que os funcionários da Petrobrás continuem de braços cruzados. "O tempo para a gente discutir saídas para essa greve não pode ser discutido numa mensagem de rede social. Vamos conversar com os nossos sindicatos e com a nossa base para definir o melhor caminho que a federação e os seus sindicatos irão tomar", afirmou o diretor da FUP Tadeu Porto, um dos integrantes da comissão montada para negociar com a direção da empresa.

Ele e mais quatro sindicalistas estão na sede da estatal, no centro do Rio, desde o dia 31.

Gandra argumentou em sua decisão que os petroleiros não estão cumprindo determinação anterior para que 90% dos funcionários continuem trabalhando e assim garantam a continuidade da operação e o abastecimento de combustíveis à população. Segundo a FUP, 21 mil aderiram à greve.

A Petrobrás informou em comunicado à imprensa na noite de segunda que “já notificou as entidades sindicais da decisão e aguarda que todos os empregados retornem às suas atribuições imediatamente”.

A FUP criticou a decisão e disse entender que o movimento grevista é legítimo e legal. “Entendemos que essa decisão é inconstitucional e nossos advogados em todo o Brasil estarão, sim, vendo uma forma de questionar essa decisão monocrática do ministro Ives Gandra”, disse em vídeo o diretor da FUP Deyvid Bacelar.

Segundo ele, a entidade tomou conhecimento da medida do TST “de maneiras ainda não oficiais”.

A decisão do ministro do TST estabeleceu multas diárias de entre R$ 250 mil e R$ 500 mil aos sindicatos em caso de descumprimento, além de bloqueio de contas e repasse de mensalidades associativas.

Na segunda-feira, a FUP havia afirmado que a paralisação tinha adesão de mais de 60% dos funcionários da área operacional da Petrobrás, envolvendo 21 mil trabalhadores em 13 Estados, incluindo os de plataformas do pré-sal. 

paralisação foi motivada pelas demissões na fábrica de fertilizantes Fafen-PR e discordância em relação aos desinvestimentos da companhia, além da exigência do cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que segundo os sindicalistas, estaria sendo desrespeitado pela atual gestão.

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