Marinha do Brasil
Marinha do Brasil

Petroleiros encerram paralisação contra falta de segurança

Federação Única dos Petroleiros vai se reunir no dia 23 para deliberar sobre greve para reivindicar melhores condições de segurança no trabalho

O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2015 | 18h45


A paralisação iniciada nesta sexta-feira, 13, pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) em protesto ao acidente ocorrido anteontem no navio-plataforma Cidade de São Mateus, na Bacia do Espírito Santo, será encerrada hoje até as 23h59, mas um "movimento mais forte" será avaliado pelos sindicalistas. O conselho deliberativo da FUP vai se reunir no próximo dia 23 no Rio, e uma greve não está descartada.

"Não (descartamos uma greve). Principalmente quando o assunto é saúde e segurança", disse o coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel. "Pode ser que (na reunião do dia 23) a gente decida por um movimento mais forte", acrescentou.

A explosão na casa de bombas do navio-plataforma, operado pela BW Offshore e afretado pela Petrobrás, deixou cinco pessoas mortas (quatro brasileiros e um indiano) e 26 feridos, sete deles ainda internados em hospitais da Grande Vitória. Quatro tripulantes seguem desaparecidos, segundo o último balanço oficial divulgado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Rangel, que já integrou o conselho de administração da Petrobrás, mantém posição crítica aos investimentos da petroleira estatal na área de Saúde, Meio Ambiente e Segurança (SMS) e ao grande volume de terceirizações. Além disso, ele alerta que falta uma fiscalização por parte da ANP e do Ministério do Trabalho se as melhores práticas de prevenção a acidentes são cumpridas.

O acidente também levou o Ministério Público do Trabalho do Espírito Santo (MPT-ES) a abrir um inquérito para apurar irregularidades trabalhistas no FPSO Cidade de São Mateus. A investigação envolve a BW Offshore e a Petrobrás. Inicialmente serão analisadas três questões: a adequação do meio ambiente do trabalho dentro do navio-plataforma; a legalidade da relação contratual entre Petrobrás e BW e eventual prestador de serviços; e a existência e a regularidade do trabalho de estrangeiros no navio-plataforma.

O procurador do Trabalho Bruno Gomes Borges da Fonseca, responsável pela investigação, deu um prazo de 15 dias para que as empresas apresentem a documentação dos funcionários.

Uma inspeção realizada em dezembro de 2014 pelo Ministério do Trabalho na plataforma constatou irregularidades pontuais em itens de segurança e saúde no trabalho. Em princípio, elas não têm relação com o acidente ocorrido na quarta-feira, mas só será possível chegar a uma conclusão definitiva após a análise de técnicos, que será iniciada na próxima semana. Segundo o Ministério, o cumprimento das normas de saúde e segurança do trabalho a bordo do FPSO Cidade de São Mateus é, em princípio, uma responsabilidade da empresa PPB do Brasil Serviços Marítimos LTDA, da BW Offshore, empregadora dos tripulantes a bordo da embarcação.


Paralisações. Na maioria dos locais que aderiram à paralisação, o protesto começou à 0h desta sexta-feira. Os trabalhadores suspenderam os serviços em plataformas, refinarias e poços terrestres. No caso das plataformas, a permissão de trabalho necessária para o início das atividades (de acordo com normas de segurança) não foi emitido, segundo Rangel.

Nas refinarias, vigorou o "corte de rendição": a troca de turno prevista para a 0h não ocorreu, e os funcionários que permaneceram nas unidades estão de braços cruzados. Houve paralisações na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e em unidades de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Bahia, Rio de Janeiro (incluindo plataformas da Bacia de Campos), Rio Grande do Sul e Amazonas.

Em Vitória, onde embarcavam os trabalhadores do Cidade de São Mateus até o acidente, o protesto foi liderado pelo Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES). No aeroporto da capital capixaba, durante a madrugada, trabalhadores foram impedidos por sindicalistas de embarcar em helicóptero que os levariam às plataformas. Após cerca de três horas, no entanto, eles foram autorizados a entrar nas aeronaves e seguiram para o local de trabalho.

No Ceará, a mobilização ficou concentrada na base da Transpetro em Maracanaú (CE). Houve paralisação de todos os trabalhadores com atraso de 2h, incluindo terceirizados. (Reportagem: Idiana Tomazelli, Mariana Durão, Fabio Grellet, enviado especial a Vitória, e Carina Bacelar)

Mais conteúdo sobre:
petrobras

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.