Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Petroleiros param e ministro do TST fala em ‘afronta’

Sete refinarias paralisam atividades; Paulo Guedes afirma que, se a Petrobrás fosse uma empresa privada, ‘eu demitiria os grevistas’

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2019 | 14h15
Atualizado 26 de novembro de 2019 | 11h32

RIO - Contrariando determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) da última sexta-feira, empregados da Petrobrás, liderados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), cruzaram os braços em greve nesta segunda, 25, movimento programado para se estender até sexta-feira.

Em represália, a empresa recorreu mais uma vez à Justiça. Dessa vez, pedindo que o tribunal imponha multas ainda mais elevadas e punições mais rígidas, reivindicação acatada pelo ministro Ives Gandra, que classificou a paralisação como “afronta”. 

Em Washington, onde participa de um evento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “se a Petrobrás fosse empresa privada e com greve, eu demitira os grevistas”. O ministro, porém, disse que “o governo não estuda nem demissão nem privatização da Petrobrás”.

Apesar da imposição de penalidades mais duras, os sindicalistas se reuniram no início da noite, logo após divulgação da decisão judicial, e decidiram em videoconferência manter a greve. Eles protestam contra a venda de ativos, demissões em massa e o alinhamento dos preços de venda da gasolina e do óleo diesel aos das commodities negociadas em Londres, em dólar.

A FUP argumenta que vem apresentando sua reivindicação há anos, mas a interpretação do TST é que a federação não poderia ter iniciado o movimento após 18 dias da assinatura do acordo coletivo. “A gente fala e a Petrobrás não ouve. Já que ela não quer ouvir, a arma que nós temos é a mobilização”, disse o coordenador da federação, José Maria Rangel, em vídeo divulgado aos trabalhadores.

Nesta segunda, Gandra determinou a suspensão das mensalidades pagas pelos empregados para sustentar os sindicatos até que seja alcançado o valor das multas. Determinou também o bloqueio de R$ 2 milhões das contas dos 13 sindicatos envolvidos na greve e da FUP. A última vez que a Justiça autorizou um bloqueio desse tipo foi na greve de 1999, a única em que houve desabastecimento de combustível. Na paralisação desta semana, no entanto, os sindicatos deram a palavra que o atendimento à população estaria garantido.

Paralisação

A estatal reconhece paralisações em sete refinarias – Recap (SP), Reduc (RJ), Refap (RS), Reman (AM), Replan (SP), Rlam (BA) e Rnest(PE) – na Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná, e em plataformas da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Cada uma dessas unidades vai gerar multa diária de R$ 2 milhões aos grevistas, segundo a determinação do tribunal de segunda. Na última sexta-feira, a liminar do TST tinha definido o mesmo valor para cada dia de greve, independentemente do número de unidades atingidas.

O diretor de Relações Institucionais da FUP, Deyvid Bacelar, chamou de "arbitrária" a decisão do ministro e disse que a federação vai reagir à decisão.

Procurada, a Petrobrás não se posicionou. 

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