Petróleo a US$ 80 aumentaria dívida da Petrobras em US$ 43 bi

Segundo Credit Suisse, elevação da dívida seria necessária para atender investimentos já anunciados pela estatal

Kelly Lima, da Agência Estado, e Nicola Pamplona, de O Estado de S. Paulo,

16 Outubro 2008 | 18h37

A manutenção do preço do barril de petróleo na casa dos US$ 80 obrigaria a Petrobras a aumentar sua dívida atual em pelo menos US$ 43 bilhões, passando de US$ 14,2 bilhões para US$ 57,1 bilhões, considerando a manutenção dos projetos para o período entre 2009 e 2013. A estimativa, feita em relatório preparado pelo Credit Suisse, aponta que este aumento na dívida seria necessário para atender aos investimentos já anunciados pela estatal, tanto para o desenvolvimento de áreas do pré-sal, quanto para a construção das refinarias Premium e o Comperj.   Veja também: Com crise e queda de consumo, petróleo cai abaixo de US$ 70 Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  O caminho até o pré-sal    Segundo o relatório, para cumprir o cronograma previsto pela companhia, seriam necessários US$ 163 bilhões em investimentos entre 2009 e 2013, o que deveria elevar dos atuais US$ 22 bilhões para US$ 32 bilhões o volume anual médio previsto para ser aplicado no País. Este volume de investimentos, segundo o relatório, considera a construção dos primeiros 10 sistemas produtivos para a região de Tupi, que devem girar em torno de US$ 16 bilhões nestes primeiros cinco anos, e leva em conta também os US$ 20 bilhões do total de US$ 30 bilhões necessários para aplicar na construção das refinarias. Outros US$ 15 bilhões devem ser acrescidos, lembra o relatório do banco, por conta de custos inflacionários.   De acordo com o Credit Suisse, se o preço do petróleo se mantivesse na casa dos US$ 100 a Petrobras não teria dificuldade em manter este acréscimo em seus investimentos apenas com seu caixa. "Seria necessário talvez uma pequena busca ao mercado, mas nada significativo", comenta o analista Emerson Leite, responsável pelo relatório. O próprio Credit Suisse, entretanto, já reviu a meta para o custo do barril em 2009, de US$ 110 para US$ 75.   Dentro de um cenário ainda mais estressado, com o petróleo chegando s US$ 65, o Credit Suisse aponta que a Petrobras teria que buscar no mercado US$ 68 bilhões até 2013, sendo que deste total, pelo menos US% 15 bilhões já teriam que ser obtidos em 2009. Para o analista, no atual cenário de crise, os investimentos em refinarias poderiam ser revistos por não apresentarem um elevado retorno.   Mesma opinião tem o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de INfra-Estrutura. "O setor de refino tem um retorno menor", frisa. Para ele, pode haver uma diminuição no ritmo de implantação dos projetos.   A questão da necessidade de endividamento é apontada pelo professor Edmar Almeida, do Instituto de Economia da UFRJ como um dos principais obstáculos à manutenção dos planos de investimento do setor de petróleo. Ele lembra que, com as ações das companhias do setor vêm acompanhando o movimento de queda das cotações do petróleo, reduzindo o valor de mercado das empresas.   O preço baixo também devem reduzir a geração de caixa. "São indicadores importantes na análise de crédito de uma companhia", argumenta. Aliada à falta de liquidez dos mercados, as restrições de alavancagem devem levar as petroleiras a serem mais seletivas na escolha dos projetos.

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