Petróleo bate novo recorde e fecha acima de US$ 60

Os preços do petróleo fecharam nesta segunda-feira registrando novo recorde, depois da vitória do ultraconservador Mahmud Ahmadinejad nas eleições presidenciais no Irã. A preocupação se a oferta será suficiente para compensar a forte demanda nos Estados Unidos também pesou nos negócios.Em Nova York, o barril para entrega em agosto fechou com alta de 70 centavos, para 60,54 dólares. Durante o dia, chegou a custar 60,95 dólares, a cotação mais alta da história. Em Londres, o preço também bateu um novo recorde: US$ 59,30.Em Dubai, o presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), xeque kuwaitiano Ahmad al-Fahd al-Sabah, disse nesta segunda-feira que os países do cartel continuam realizando consultas para aumentar a produção em 500.000 barris ao dia. Segundo ele, a decisão sobre o aumento da produção deve ser tomada ainda esta semana. "Se eles acreditarem que há uma insuficiência no mercado, vão aprovar um aumento de 500.000 barris", disse.Veja os fatores que fazem o preço do petróleo bater seguidos recordes:ALTA DEMANDA - O crescimento quase simultâneo de todas as economias do mundo ano passado causou um forte aumento no consumo de petróleo, principalmente na China e nos Estados Unidos. A Agência Internacional de Energia prevê um crescimento de 2,25% na demanda mundial de petróleo em 2005, para 84,3 milhões de barris por dia. Alguns analistas temem escassez de petróleo no último trimestre, em particular se o inverno for rigoroso no Hemisfério Norte.INCAPACIDADE DE PRODUÇÃO - A produção tem dificuldades de acompanhar a disparada da demanda. A Opep, que fornece 40% do óleo cru mundial, deu início a uma série de altas na cota de produção. Hoje, a produção do cartel é de 28 milhões de barris diários e, em breve, poderá passar a 28,5 milhões, se os preços continuarem subindo. Caso isso ocorra, esta será a maior cota da Opep desde sua criação em 1987. Porém, a margem de manobra da Opep é cada vez menor: apenas a Arábia Saudita tem capacidade de produção suplementar (1,5 milhão de barris diários), sendo que de bruto pesado, difícil de refinar e, portanto, pouco apreciado.INCAPACIDADE DE REFINO - Para a Opep e inúmeros analistas, a falta de capacidade de refino agrava o problema. Segundo o ministro saudita do Petróleo, Ali Al-Nouaïmi, a solução para "a metade do problema dos preços elevados" é construir refinarias. A refinaria mais nova de toda a Europa e dos Estados Unidos foi construída há 30 anos. Pior, parte delas não refina bruto pesado, provocando escassez de produtos como gasolina, óleo para aquecimento e diesel.TENSÕES POLÍTICAS - A vitória na eleição presidencial do Irã do ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, famoso pelas polêmicas declarações sobre o setor petroleiro iraniano, aumentou o nervosismo no mercado. Os saques em instalações petroleiras no Iraque não param. A situação é tensa também na Arábia Saudita. Os operadores do mercado financeiro estão de olho na Venezuela e aos problemas étnicos na Nigéria.CHINA - Além de sua alta demanda, que transformou o país no segundo importador mundial atrás dos Estados Unidos, a China acaba de confirmar a intenção de fazer daqui a três ou cinco anos uma reserva estratégica de petróleo, que pode chegar a 100 milhões de barris, ou seja aproximadamente um mês de consumo.OS ESPECULADORES - Os fundos especulativos se mantêm ativos no mercado do petróleo, apesar de menos agressivos agora que no fim de 2004 e em março de 2005.

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