Petróleo cai 5,07% após anúncio de corte na Opep

Barril negociado em Nova York caiu de US$ 67,84 para US$ 64,40; Casa Branca protesta

Redação com agências

24 Outubro 2008 | 12h03

O preço do petróleo caiu 5,07% depois do anúncio, nesta sexta-feira, 24, do corte de 1,5 milhão de barris por dia na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). O barril light crude negociado em Nova York caiu de US$ 67,84 para US$ 64,40. Veja também: Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  Segundo a Opep, o corte entrará em vigor em 1º de novembro. Em nota, o cartel, que responde por 40% da produção mundial, disse que os preços vivem um colapso de magnitude e rapidez dramática. O anúncio é uma tentativa de conter a queda do preço petróleo, que após bater US$ 147 no auge da alta das commodities, encolheu com a crise financeira. Para analistas, a queda dos preços se deve mais ao temor com uma recessão global do que preocupação com a oferta do produto. Com a deterioração de economias mais avançadas, a demanda por petróleo pode cair. "Este risco de recessão deveria levar cautela à Opep antes de um corte na produção", diz Peter McGuire, diretor de uma empresa australiana de investimentos em commodities. Divisão Doze dos integrantes da Opep queriam reduzir a produção para fazer os preços subirem. A Venezuela defendia que a produção fosse cortada em um milhão de barris por dia - ou 3% da produção total da Opep. O Irã queria cortar o dobro disso. O setor público do Irã depende quase totalmente das exportações. Alguns cálculos apontam que o Irã perde US$ 1 bilhão de receita por ano para cada dólar reduzido do preço do barril de petróleo. Já a Arábia Saudita foi contra a redução. O ministro do Petróleo do país, Ali al-Naimi, disse na quinta-feira que o preço deveria ser determinado pelo mercado. A Arábia Saudita é o maior produtor de petróleo da Opep. Uma das preocupações do país é evitar que países compradores procurem alternativas energéticas, no caso de o preço do petróleo subir demais. Repercussão A Casa Branca chamou de "antimercado" a decisão da OPEP de cortar a produção de petróleo em 1,5 milhão de barris diários e destacou que os altos preços do petróleo são um obstáculo para o avanço da economia global. "Sempre foi nossa opinião que o valor das commodities, incluindo petróleo, deveria ser determinada por mercados abertos e competitivos, e não por esse tipo de decisão antimercado sobre produção", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto.

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