Karen Bleier/AFP
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Petróleo cai a US$ 37 e ameaça o pré-sal

Preço do barril despencou com decisão da Opep sobre metas de exploração; produção brasileira se viabiliza com cotação a US$ 45

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2015 | 21h08

RIO - O barril do petróleo fechou nesta segunda-feira, 7, nas mais baixas cotações desde fevereiro de 2009, quando o mundo ainda vivia a fase mais aguda da crise global de 2008, e arrastou para baixo as ações das principais petroleiras do mundo.

Influenciada pela queda na Bolsa de Nova York, a BM&FBovespa fechou no vermelho, puxada pelo tombo nas ações da Petrobrás. Segundo especialistas, o preço do barril deve testar novas mínimas, aumentando ainda mais a dificuldade da estatal para arcar com os pesados investimentos no pré-sal.

Em Nova York, o preço dos contratos de petróleo bruto para janeiro despencou 5,80%, para US$ 37,65 por barril. Em Londres, os contratos do petróleo Brent para janeiro fecharam a US$ 40,73 por barril, recuo de 5,28%. As cotações derreteram porque, mesmo com o excesso de oferta global, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiu, na sexta-feira, manter as metas de produção de cada país inalteradas.

Para que o pré-sal seja lucrativo, o barril deve ser vendido a pelo menos US$ 45 no mercado internacional, conforme estimativa média divulgada pela Petrobrás no Plano de Negócios 2015-2019. A queda abaixo disso aumenta a pressão sobre a equipe técnica da estatal, que corre para enxugar os custos de exploração e produção. Uma das estratégias é aproveitar o desaquecimento da indústria no mundo todo para forçar os fornecedores a melhorar o preço.

Segundo pessoas próximas à Petrobrás, o pré-sal seria viável com o barril cotado até US$ 30, apesar da estimativa citada no plano de negócios. O número exato é considerado estratégico, mas a diretora de Exploração e Produção da estatal, Solange Guedes, garantiu ao Estado no fim de outubro, quando o barril estava acima de US$ 45, que o pré-sal é viável, mesmo com a queda nas cotações.

Para o consultor John M. A. Forman, ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a queda nas cotações do petróleo “não inviabiliza o pré-sal, mas acende o alerta vermelho”.

“As grandes empresas estão habituadas a esse sobe e desce nas cotações e vão investir onde houver potencial e condições favoráveis. Nosso potencial é favorável, mas as condições, não”, disse o consultor, referindo-se à regulação que exige conteúdo local e a Petrobrás como operadora única.

Na visão do professor Edmar Almeida, do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a questão não é se o pré-sal é viável ou não, mas sim como financiar os investimentos. Endividada, a Petrobrás tem dificuldade em arcar com os aportes. “Esse preço não é problema para o futuro do pré-sal porque é um projeto de 30 anos”, afirmou Almeida, para quem as cotações poderão cair abaixo de US$ 30, mas não ficariam nesses níveis por muito tempo.

De olho na capacidade das petroleiras para financiar projetos, investidores venderam ações. Em São Paulo, as ações ordinárias da Petrobrás caíram 5,37% e as preferenciais, 4,39%. Em Nova York, as ações da Chevron e da Exxon caíram 2,71% e 2,61%, respectivamente, puxando o recuo de 0,66% no Índice Dow Jones.

Na geopolítica do petróleo, segundo o professor da UFRJ, a Opep seguiu a política do membro mais influente, a Arábia Saudita. Com custos de produção baixíssimos, a monarquia absolutista está disposta a faturar menos para garantir sua participação nas exportações globais. Para piorar, lembrou Almeida, essa geopolítica é marcada pela disputa entre sunitas e xiitas, que passa pela escalada dos conflitos na Síria e a ascensão do Estado Islâmico. /COLABOROU FERNANDA NUNES COM REUTERS e DOW JONES

 

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