Petróleo, câmbio e alimento impedem projeção menor para inflação em 2005

Não fossem as incógnitas relacionadas a petróleo, câmbio e alimentos, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) teria condições técnicas para reduzir a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do ano para 4,6%. A afirmação foi feita hoje pelo coordenador do IPC-Fipe, Paulo Picchetti, que mantém sua estimativa de inflação para o ano dentro do intervalo de 5% a 5,5%. Para o mês de setembro, a projeção da Fipe é de uma inflação em 0,25%. Em agosto, o IPC encerrou com deflação de 0,20%. Ele destacou que, com as atuais circunstâncias, o resultado da inflação anual deverá ficar mais próximo do piso do que do teto das estimativas. "Se eu refizesse a projeção para o IPC de 2005, seria para 4,6%, mas petróleo, câmbio e alimentos dificultam a revisão", afirmou.Dados da Fipe mostram que o IPC acumula de janeiro a agosto uma taxa de 2,82%, o que significa uma "sobra" de 2,18% de inflação de setembro até dezembro para que o piso da estimativa para o ano (5%) seja atingido. Picchetti calculou que a média mensal da inflação do período seria de 0,54%, mais do que o dobro do que o projetado por Picchetti para setembro (0,25%) e quase 0,20 ponto porcentual acima da média mensal registrada pelo IPC de janeiro a agosto (0,35%). "Essa taxa média não me parece provável hoje, porque é muito alta", considerou.Base no IPCAEle comparou ainda essa hipótese com os dados do IPCA, que é calculado pelo IBGE. No ano, até agosto, este índice exibe uma alta de 3,57%, já contando com a estimativa de 0,20% para o mês passado, mostrada na Pesquisa Focus.Como a mediana para o IPCA do final do ano, segundo a mesma pesquisa, está em 5,23%, a média mensal do IPCA até o final de 2005, segundo o cálculo de Picchetti, seria de 0,45%, também bem abaixo da média encontrada no caso do IPC-Fipe.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.