Petróleo continuará barato até o fim de 2016

As cotações do petróleo chegaram ao menor nível em seis anos (abaixo dos US$ 50 o barril) nos últimos dias e deverão continuar em patamar baixo até o fim de 2016, preveem analistas do exterior e do Brasil. 

O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 03h00

O mais recente Relatório do Mercado de Petróleo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) mostrou que as quedas das cotações da commodity se acentuaram desde julho. 

Com os preços baixos e a melhora da atividade econômica nos Estados Unidos e na Europa, a demanda aumentou, mas nem por isso os estoques nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) analisados pela IEA diminuíram. Ao contrário, os estoques crescem porque a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) continua expandindo a produção.

A recuperação dos preços do petróleo tende a ser lenta. O relatório sobre commodities do Banco Itaú estima que as cotações do tipo Brent deverão se limitar aos US$ 56 o barril no fim deste ano (os preços do futuro para setembro são inferiores a US$ 50 o barril) e permanecerão em níveis baixos até o quarto trimestre de 2016. 

Entre 2000 e 2014, segundo os dados da IEA, a demanda global de petróleo evoluiu de 77,2 milhões de barris/dia (b/d) para 92,6 milhões de b/d. A China, isoladamente, respondeu por 5,9 milhões de b/d ou 38,3% do total do aumento da demanda. Uma redução das importações chinesas, com a perda de dinamismo da economia, poderá tornar o mercado global do petróleo ainda mais fraco.

A IEA prevê que o Brasil elevará a produção de 2,52 milhões de b/d neste ano para 2,65 milhões de b/d em 2016. Se o ponto de equilíbrio for da ordem de US$ 60 o barril, será menor o benefício com a extração de óleo. Preços baixos afetam as exportações da Petrobrás e limitam o efeito positivo da exploração do pré-sal.

Não só no Brasil haverá diminuição da receita dos exportadores e desestímulo a novos investimentos. O problema afeta também outros produtores latino-americanos, como México, Colômbia e Equador.

No México foram fracos os resultados do último leilão de campos de petróleo – e o governo prepara mudanças para tornar os investimentos mais atrativos. No Brasil, 39 grupos se inscreveram para a 13.ª Rodada da Agência Nacional do Petróleo, marcada para dia 7, mas o número é considerado baixo. O País deveria se preocupar mais com investidores globais.

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