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Petróleo demais

Países produtores de petróleo se reúnem neste domingo para examinar a proposta de redução da oferta a fim de puxar os preços

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2016 | 21h00

Os produtores de mais de 40% do petróleo mundial se reúnem neste domingo em Doha, capital do Qatar, para examinar a proposta de redução da oferta de petróleo, de modo a puxar os preços para cima.

Desta vez não será uma reunião exclusiva de ministros da Opep. Contará também com representantes de outros importantes produtores globais, como a Rússia e o México.

O mercado mundial enfrenta hoje oferta de cerca de 1 milhão de barris diários de petróleo mais alta do que a demanda. E essa é a principal razão da depressão dos preços, situados hoje ao redor dos US$ 40 por barril. Há apenas dois anos oscilavam acima dos US$ 100 por barril.

Se for de redução da oferta, a decisão a ser tomada em Doha estará contrariando as razões que levaram, em 2014, a Arábia Saudita a vetar a redução da produção do cartel da Opep. Foi aí que se iniciou a derrubada dos preços. 

Na ocasião, a Arábia Saudita argumentava que se tornara necessário congelar a oferta para provocar a redução de preços que alijaria grande número de concorrentes do mercado que operavam a custos altos. O alvo eram então os produtores de petróleo e gás de xisto dos Estados Unidos que, em seis anos, haviam aumentado sua produção em 5 milhões de barris diários e tornado o País praticamente autossuficiente.

Até agora, pressões de alguns países, como Venezuela e Qatar, no sentido de reduzir a oferta dentro da Opep não obtiveram sucesso. Importantes produtores, como Estados Unidos (12% da produção mundial) e Noruega (2%), não fazem parte do arranjo a ser tentado domingo, por isso parece improvável o acordo. Mesmo se a decisão for de redução da oferta, é difícil que seja duradoura: uma redução de oferta capaz de produzir alta significativa dos preços reabriria as portas para produtores não convencionais, especialmente para os de petróleo de xisto dos Estados Unidos. Boa parte deles reduziu suas atividades porque, aos preços de hoje, deixaram de ser competitivos. Bastaria que houvesse boa alta de preços para que a produção fosse retomada.

Além disso, desde janeiro, o Irã, um dos maiores produtores do mundo, que esteve fora do mercado por imposição do bloqueio global, voltou a vender petróleo em consequência do novo acordo nuclear. Sua produção de 2 milhões de barris diários pode ser elevada em 2 anos para 5 milhões de barris.

No entanto, o quadro de incertezas é ainda mais amplo. A China, grande consumidor, está desacelerando sua economia e, portanto, seu consumo. Como o Fundo Monetário Internacional apontou no relatório de conjuntura que acaba de divulgar, a reativação da economia mundial é lenta demais.

 

Afora isso, intensificam-se as pressões globais para redução da queima de combustíveis fósseis. Por toda parte aumentam os investimentos em projetos de energia renovável e não poluidora, como a eólica e a solar. Todos os dias, os especialistas se perguntam  até quando durará a era de petróleo no mundo. É uma pergunta que as autoridades brasileiras deveriam enfrentar com mais seriedade.

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O setor de serviços corresponde a pouco mais de 70% do PIB. Tudo o que acontece aí tem grande impacto no setor produtivo. No momento, a situação é de queda e de continuação da queda, porque o poder aquisitivo vem sendo esmerilhado pela inflação e pelo desemprego. Uma vez resolvida a questão do impeachment, é possível que se reequacione a política econômica e, a partir daí, volte a confiança e a retomada dos negócios. Mas o custo social é enorme.

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