Petróleo deve recuar nos próximos dias

O Comitê Financeiro e Monetário Internacional do FMI (CFMI) anunciou ontem um entendimento para estabilizar os preços do petróleo no mercado internacional. O documento foi assinado por todos os membros, que incluem países produtores e consumidores do produto. Segundo o comunicado, "o comitê concordou que os atuais preços do petróleo, se mantidos, impedirão o crescimento global, aumentarão as pressões inflacionárias e afetarão adversamente as perspectivas para muitos países". Segundo o ministro de Finanças da Inglaterra, Gordon Brown, há um reconhecimento de que existem questões complexas envolvidas no aumento da produção, mas disse não ter dúvidas de que há condições de elevar os atuais níveis de produção de óleo. O comitê notou em particular o efeito da subida dos preços nos países mais pobres e naqueles altamente dependentes de importações de petróleo. Brasil O ministro da Fazenda , Pedro Malan, afastou a hipótese de o petróleo continuar cotado a US$ 35 o barril, como está sendo negociado atualmente, por muito tempo. "Ninguém acredita que os preços continuarão como estão", afirmou em entrevista coletiva em Praga. Por isso, o Brasil não está fazendo alterações nas suas projeções econômicas, nem quanto ao crescimento da economia, nem tampouco nas metas de inflação. Sem falar explicitamente, ele mencionou a expectativa de que os preços do barril situem-se entre US$ 22 e US$ 28, como havia sido combinado pelos países membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), este ano. Para o Brasil, que importa 30% do petróleo que consome, metade do crescimento das importações deve-se aos preços do petróleo, mas Malan não prevê que haja impacto expressivo sobre as contas públicas. "O efeito é parcialmente compensável porque os resultados da Petrobras aumentam. O resultado da Parcela de Preço Específico (PPE) ficará aquém do esperado, mas os resultados da Petrobras ficarão muito acima do previsto." Malan afastou a hipótese de uma elevação no preço do combustível. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, rejeitou liminarmente qualquer mudança nas metas de inflação. "Para nós, a alta é desagradável, mas nem discutimos alteração nas metas. Na semana que vem, vamos publicar o relatório de inflação, explicitando cenários e conseqüências. Posso adiantar que a coisa está bem encaminhada."

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