Petróleo dispara com iminência de guerra

Os preços futuros do petróleo dispararam ontem, atingindo o nível mais alto dos últimos dez anos, em reação aos novos problemas políticos ocorridos no Oriente Médio. A escalada de violência no Oriente Médio teve ontem seu dia mais tenso com o linchamento, por parte de ativistas palestinos, de três soldados israelenses em Ramallah, na Cisjordânia, e a retaliação de Israel, cujos helicópteros bombardearam cidades administradas pela Autoridade Palestina (AP). O governo israelense qualificou o ataque com helicóptero de uma "operação limitada em resposta ao assassinato" dos soldados em Ramallah. Inicialmente, autoridades israelenses e palestinas informaram que as vítimas do linchamento eram duas. Só à noite o governo de Israel esclareceu que se tratava de três soldados. Entre os alvos do bombardeio israelense estavam instalações da polícia palestina, um dos complexos residenciais utilizados pelo presidente da AP, Yasser Arafat, em Gaza, e sedes de emissoras de rádio e TV árabes. Fontes da AP esclareceram que Arafat não estava no edifício atacado pelos helicópteros de Israel. Além da persistência dos conflitos entre israelenses e palestinos, uma explosão a bordo de um navio militar norte-americano no Porto de Aden, no Iêmen, causou a morte de cinco marujos. A possibilidade de uma retaliação por parte dos Estados Unidos fez o mercado apostar na alta.Petróleo em NY chegou a US$ 36,06Em Londres, o tipo Brent para venda em novembro atingiu US$ 35,50 o barril, mas recuou para US$ 34,10 - ficando, mesmo assim, US$ 2,30 acima da cotação de quarta-feira. Em Nova York, a cotação atingiu US$ 36,06, uma alta de US$ 2,81 em relação ao fechamento anterior. O mercado futuro do óleo de calefação também registrou alta de quase 10 cents, com o produto para entrega em novembro cotado a US$ 1,11 o galão. Este é o preço mais alto registrado pelo produto na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex) desde 1979, quando atingiu US$ 1,15 o galão. Neste caso, o motivo do aumento foi a divulgação de uma nota, pelo Departamento de Energia, informando que os estoques de óleo de calefação dos Estados Unidos tiveram uma redução de 1,3 milhão de barris na semana passada, atingindo 46,6 milhões de barris, ou 35,2% abaixo dos níveis de 1999.Os primeiros sinais do inverno começam a atingir alguns pontos desse país que é o maior consumidor de energia no mundo. A costa leste americana, em especial, depende tremendamente desse óleo para aquecer as residências e escritórios. As bolsas despencaramO agravamento da crise no Oriente Médio disparou os preços do petróleo e produziu um dia dramático para os mercados nesta quinta-feira. Reagindo ao aumento do petróleo e aos maus resultados de grandes empresas, o índice Dow Jones da Bolsa de NY sofreu ontem sua quinta maior queda na História em termos de pontos. O principal indicador de Wall Street recuou 3,64%. O índice Nasdaq, que concentra as ações das empresas de tecnologia, também sofreu queda, fechando em baixa de 2,96%, que o leva ao patamar mais baixo desde novembro do ano passado. Na 4ªF, o Dow Jones havia fechado em em baixa de 1,05%, enquanto o Nasdaq perdeu 2,22%. A alta do petróleo foi gerada pelo temor do mercado mundial de que os árabes se recusem a fornecer petróleo aos países que ficarem ao lado dos israelenses no embate. O analista Phil Flynn, da Alaron Tradig Corp., de Chicago, disse ao The Wall Street Journal: " Esta é uma situação na qual podemos perder todas as importações de petróleo do Oriente Médio caso alguma coisa saia errado". A alta do petróleo pode ter efeitos desastrosos para a maioria das economias de todo o planeta. Pode pôr um freio no crescimento nos EUA, por exemplo, ao diminuir a renda disponível dos consumidores, que têm de pagar mais por combustível para aquecimento de suas casas no inverno.

Agencia Estado,

13 de outubro de 2000 | 08h28

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