Petróleo em NY fecha na mínima em 22 meses, a US$ 56,16

Especulação de que a demanda mundial pela commodity vai continuar fraca derruba cotações no mercado

Ana Conceição, da Agência Estado,

12 de novembro de 2008 | 18h58

O barril de petróleo fechou no nível mais baixo em 22 meses na New York Mercantile Exchange (Nymex) nesta quarta-feira, 12, pressionado pela incansável especulação de que a demanda global pela commodity continuará fraca. Os contratos de WTI para dezembro cederam US$ 3,17 (5,34%) e fecharam a US$ 56,16 por barril, o fechamento mais baixo desde 29 de janeiro de 2007. Incluindo as transações do sistema eletrônico Globex, a mínima foi de US$ 55,62 e a máxima de US$ 59,50. Nas transações eletrônicas da ICE Futures, os contratos de petróleo Brent para dezembro caíram US$ 3,34 (6,00%) e fecharam a US$ 52,37 por barril. A mínima foi de US$ 51,78 e a máxima de US$ 55,92 por barril.   Veja também: Bovespa cai 7,75%, puxada por Wall Street e Petrobras Dólar sobe 3,20%, refletindo mau humor global EUA não devem comprar papéis podres, diz Paulson Câmara conclui votação de MP 433, que agora vai ao Senado Caixa libera R$ 2 bi para financiar consumo  Desemprego britânico é recorde e indústria européia desacelera De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos   As cotações estenderam a queda do início do dia depois que a Administração de Informações de Energia, do Departamento de Energia dos EUA (EIA/DoE), reforçou o pessimismo do mercado ao estimar que a demanda mundial por petróleo deverá ter um crescimento de apenas 40 mil barris por dia em 2009; a previsão anterior era um crescimento de 780 mil barris por dia. Foi mais uma voz a se juntar ao coro de analistas que reduziram suas estimativas de demanda nas últimas semanas por causa da perspectiva de enfraquecimento econômico mundial.   Outro fator a incomodar o mercado foi a informação da MasterCard Inc de que o consumo de gasolina no varejo recuou 4,2% na semana passada nos EUA, ante o mesmo período do ano passado. Foi a 29ª semana consecutiva de queda.   As liquidações vistas nesta quarta no mercado de petróleo foram complementadas pelo pessimismo demonstrado pelos investidores em outras frentes. Os índices de ações na Europa e nos EUA caíram de forma expressiva, pressionados pelos anúncios desanimadores de algumas redes de varejo. "Com a situação macroeconômica parecendo muito fraca, provavelmente não devemos esperar por uma recuperação expressiva nos preços do petróleo até 2009", comentou Bart Melek, estrategista global de commodities do BMO Capital Markets.   As cotações do petróleo na Nymex acumulam queda de quase US$ 90 desde o fechamento recorde de 3 de julho passado, em US$ 145,29 por barril. O impacto dessa retração nos exportadores da commodity pode fazer com que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) antecipe a reunião marcada para o dia 17 de dezembro na Argélia. Em outubro, o cartel decidiu reduzir a produção diária em 1,5 milhão de barris para 27,3 milhões de barris.   A Opep está esperando para ver se o corte de outubro tem algum efeito no mercado antes de decidir por outra redução na oferta, disse à Dow Jones uma fonte próxima ao presidente da entidade. A fonte também disse que os membros do cartel vão aproveitar o encontro dos produtores árabes, no próximo dia 29, para "consultar uns aos outros" sobre a situação do mercado. "Quanto mais os preços caírem, maior a probabilidade de o cartel chamar uma reunião de emergência", disse Nauman Barakat, vice-presidente sênior da Macquarie Futures USA.   Na Nymex, os contratos futuros de gasolina reformulada (RBOB) para dezembro fecharam com queda de US$ 0,0578(4,43%), em US$ 1,2481 o galão. O contrato futuro de óleo para calefação para dezembro cedeu US$ 0,0936 (4,85%), para US$ 1,8354 o galão.

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