Petróleo em queda afeta a América Latina

Venezuela, México e Colômbia devem ser os mais prejudicados com o preço mais baixo

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2015 | 02h04

A queda no preço do petróleo deve afetar o desempenho econômico de importantes economias da América Latina. A região é uma grande produtora da commodity e o recuo na cotação traz impactos negativos para Venezuela, Colômbia e México. O Brasil, por sua vez, se beneficia desse novo cenário no curto prazo, mas pode ser prejudicado se a queda no preço do petróleo for acompanhada pela de outros produtos básicos.

De todas as economias latino-americanas, a Venezuela é a mais impactada. O país é muito dependente do petróleo: 58,9% da arrecadação fiscal e 79,7% das exportações são provenientes do produto.

Com a forte baixa no preço, as fragilidades da economia venezuelana - já existentes - ficam ainda mais expostas. "Uma queda do preço do petróleo traz problemas sérios num país que já estava completamente desequilibrado", diz André Loes, economista-chefe do banco HSBC para a América Latina.

Na semana passada, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou o rating venezuelano de Caa1 para Caa3. Segundo a agência, o risco de o país declarar uma moratória aumentou por causa da queda do preço do petróleo. "A grande pergunta é se vai haver default ou não", diz Juan Carlos Rodado, economista do banco francês Natixis e especialista em América Latina.

Na Colômbia, a cotação mais baixa do petróleo deve fazer com que os analistas rebaixem a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015. Nos últimos anos, boa parte do crescimento esteve ligada ao setor petroleiro, sobretudo a partir de 2003, quando o governo local abriu o setor de energia para o investimento privado. "O marco regulatório para atrair capital privado e o boom de preços fez com que todo o investimento em atividades relacionadas ao petróleo e toda a infraestrutura para viabilizar a extração fossem os motores da economia", afirma João Pedro Bumachar, economista responsável pela cobertura de América Latina do Itaú.

Hedge. Ao menos em 2015, o México deve escapar dos efeitos da queda do preço do petróleo. Para se proteger da derrocada da cotação, o governo mexicano fez um hedge a mercado do preço da commodity. A preocupação se justifica: a arrecadação do governo ligada ao petróleo equivale a cerca de 6% do PIB. O problema, então, é de médio prazo. O México promoveu uma série de reformas liberais, o que incluiu o setor energético, e esperava atrair novos investimentos para alavancar o crescimento. "Se o preço do petróleo permanecer nesse patamar, os benefícios da reforma vão ser menos significativos", diz Bumachar.

A redução no preço do petróleo pode favorecer a economia brasileira. O Brasil é um importador líquido do produto e o novo cenário pode melhorar as contas externas. Mas existe a preocupação de que a queda no preço seja acompanhada pela de outros produtos básicos, já que existe forte correlação entre eles. Essa combinação afetaria a já debilitada exportação brasileira. "Uma situação em que o preço da principal commodity do mundo se estabiliza lá embaixo não pode ser boa para o Brasil no médio prazo. O preço das demais commodities vai acabar convergindo", diz Loes.

Na última década, os preços das commodities tiveram forte alta, e atingiram o pico em 2011. Desde então, passaram a recuar - umas com mais força, outras com menos. O petróleo se manteve em patamares elevados até meados do ano passado, quando, então, despencou.

Se o preço do petróleo permanecer em patamares historicamente baixos por um longo período, os projetos esperados para o pré-sal podem ser prejudicados. "Quanto mais baixo está o preço, mais pressão a Petrobrás vai ter para não aumentar preço, o que vai dificultar ainda mais o investimento", diz Rodolfo Oliveira, economista da Tendências Consultoria Integradas.

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